A nova vida do ‘vilão’ Mike Tyson: Podcasts, maconha e amizade com Holyfield

Atualizado: Ago 3

É um dos personagens mais polêmicos das últimas décadas. Hoje, ele comanda um negócio de maconha na Califórnia e prepara seu retorno aos ringues enquanto grava podcasts


Ao sair da prisão, uma conta corrente com 400 milhões de dólares (cerca de 2,125 bilhões de reais) o aguardava. O lutador de boxe gastou tudo, entre outras coisas, com drogas e acabou com uma dívida de 60 milhões. Arrancou um pedaço da orelha de seu adversário Evander Holyfield. Teve oito filhos e muitos pombos, aos quais dá água Fiji para beber. Chegou a possuir vários tigres, dos quais teve que se desfazer porque arrancaram o braço de um ladrão que entrou em sua casa. Reinventou-se como ator e participou de sucessos como Se Beber, Não Case!. Sua autobiografia fez dele um escritor best-seller. Então se tornou monologuista; criou sua própria série de desenhos animados, Mike Tyson Mysteries, e agora voltou a se reinventar como empresário de maconha.


P. É incrível que você e Evander Holyfield sejam amigos agora. Foi difícil fazer as pazes depois do que aconteceu?


R. Ele é um cara sensacional. Tive a sorte que aceitasse minhas desculpas e sou muito grato a ele. É como se nada tivesse acontecido.


P. Durante um tempo você foi chamado de “o pior cara da face da Terra”. Como você encarava isso?


R. Na época eu adorava ser esse tipo de cara. Alimentava meu ego. Mas é mentira, é uma brincadeira, e fico feliz que não me chamem mais assim. Que digam isso de outro. Não é bom para a saúde!


P. Qual foi sua pior derrota?


R. O mais difícil foi perder minha filha (Exodus, que morreu em 2009 em um acidente doméstico). Ainda não sei muito bem se superei isso ou não.


P. E no ringue?

R. Isso é uma estupidez. É só dinheiro. Isso não me afeta de forma alguma.


P. De onde vem o hábito de ajudar seus adversários a se levantarem depois vencê-los? Você sempre fez isso?


R. Vi que Jack Dempsey [boxeador norte-americano que morreu aos 87 anos, em 1983] fazia isso e pensei que era bom, então comecei a fazê-lo.


P. Você já se perguntou como seria sua carreira se começasse agora? Qual é a diferença entre o mundo do boxe atual e o de antes?

R. Hoje eu teria um monte de problemas!


P. Por causa do fato de que hoje tudo sai nas redes sociais?

R. Teria a ver com isso, com certeza.


Tyson anuncia que voltará aos ringues. Mas também afirma em uma entrevista que, para ele, “viver poderia ser mais complicado do que morrer”. Anuncia-se que sua empresa fatura mais de meio milhão de euros por mês e que seu sócio, Alki David, quer comprar os naming rights do Camp Nou. O F.C. Barcelona desmente.


Enquanto isso, seu eterno rival, Evander Holyfield, também anuncia seu retorno. O mundo esfrega as mãos, embora a primeira proposta de adversário pareça ser Tyson Fury. Mike elogia os benefícios da dieta vegana e em outra entrevista ele se lembra de quando encontrou sua mulher na cama com Brad Pitt. Também enfrenta seu amigo Donald Trump juntando-se aos protestos pelo assassinato de George Floyd. É hora de ligar para ele para que nos coloque em dia.


P. Você disse recentemente: “Os deuses da guerra despertaram meu ego e eu quero lutar novamente. Poderia lutar e ajudar o homem e os animais”. Gostaria de saber quando isso começou. No nosso encontro você parecia distante desse discurso...


R. Minha mulher me disse: “Por que você não treina 15 minutos por dia na esteira?” Fiz isso durante duas semanas. Cheguei a fazer 45 minutos, depois duas horas. Cheguei a fazer até quatro horas de cardio. Então, comecei a levantar pesos, depois flexões. Agora já dou socos.


P. O boxe servia, no passado, para que as pessoas de cor se integrassem ao mundo dos brancos?


R. Sem dúvida. O boxe era uma maneira de ser aceito pelos brancos, porque os brancos respeitam os boxeadores. Daí você passava nas casas das pessoas, nas casas de pais e mães trabalhadores que assistiram aos combates. Era outro nível. Às vezes eu ia a algum bairro e ouvia: “Ei, Mike!”. E pensava: “Quem é essa?”. Era isso que o boxe proporcionava.

É um dos personagens mais polêmicos das últimas décadas. Hoje, ele comanda um negócio de maconha na Califórnia e prepara seu retorno aos ringues enquanto grava podcasts

Ao sair da prisão, uma conta corrente com 400 milhões de dólares (cerca de 2,125 bilhões de reais) o aguardava. O lutador de boxe gastou tudo, entre outras coisas, com drogas e acabou com uma dívida de 60 milhões. Arrancou um pedaço da orelha de seu adversário Evander Holyfield. Teve oito filhos e muitos pombos, aos quais dá água Fiji para beber. Chegou a possuir vários tigres, dos quais teve que se desfazer porque arrancaram o braço de um ladrão que entrou em sua casa. Reinventou-se como ator e participou de sucessos como Se Beber, Não Case!. Sua autobiografia fez dele um escritor best-seller. Então se tornou monologuista; criou sua própria série de desenhos animados, Mike Tyson Mysteries, e agora voltou a se reinventar como empresário de maconha.

P. É incrível que você e Evander Holyfield sejam amigos agora. Foi difícil fazer as pazes depois do que aconteceu?

R. Ele é um cara sensacional. Tive a sorte que aceitasse minhas desculpas e sou muito grato a ele. É como se nada tivesse acontecido.

P. Durante um tempo você foi chamado de “o pior cara da face da Terra”. Como você encarava isso?

R. Na época eu adorava ser esse tipo de cara. Alimentava meu ego. Mas é mentira, é uma brincadeira, e fico feliz que não me chamem mais assim. Que digam isso de outro. Não é bom para a saúde!

P. Qual foi sua pior derrota?

R. O mais difícil foi perder minha filha (Exodus, que morreu em 2009 em um acidente doméstico). Ainda não sei muito bem se superei isso ou não.

P. E no ringue?

R. Isso é uma estupidez. É só dinheiro. Isso não me afeta de forma alguma.

P. De onde vem o hábito de ajudar seus adversários a se levantarem depois vencê-los? Você sempre fez isso?

R. Vi que Jack Dempsey [boxeador norte-americano que morreu aos 87 anos, em 1983] fazia isso e pensei que era bom, então comecei a fazê-lo.

P. Você já se perguntou como seria sua carreira se começasse agora? Qual é a diferença entre o mundo do boxe atual e o de antes?

R. Hoje eu teria um monte de problemas!

P. Por causa do fato de que hoje tudo sai nas redes sociais?

R. Teria a ver com isso, com certeza.

Tyson anuncia que voltará aos ringues. Mas também afirma em uma entrevista que, para ele, “viver poderia ser mais complicado do que morrer”. Anuncia-se que sua empresa fatura mais de meio milhão de euros por mês e que seu sócio, Alki David, quer comprar os naming rights do Camp Nou. O F.C. Barcelona desmente.

Enquanto isso, seu eterno rival, Evander Holyfield, também anuncia seu retorno. O mundo esfrega as mãos, embora a primeira proposta de adversário pareça ser Tyson Fury. Mike elogia os benefícios da dieta vegana e em outra entrevista ele se lembra de quando encontrou sua mulher na cama com Brad Pitt. Também enfrenta seu amigo Donald Trump juntando-se aos protestos pelo assassinato de George Floyd. É hora de ligar para ele para que nos coloque em dia.

P. Você disse recentemente: “Os deuses da guerra despertaram meu ego e eu quero lutar novamente. Poderia lutar e ajudar o homem e os animais”. Gostaria de saber quando isso começou. No nosso encontro você parecia distante desse discurso...

R. Minha mulher me disse: “Por que você não treina 15 minutos por dia na esteira?” Fiz isso durante duas semanas. Cheguei a fazer 45 minutos, depois duas horas. Cheguei a fazer até quatro horas de cardio. Então, comecei a levantar pesos, depois flexões. Agora já dou socos.

P. O boxe servia, no passado, para que as pessoas de cor se integrassem ao mundo dos brancos?

R. Sem dúvida. O boxe era uma maneira de ser aceito pelos brancos, porque os brancos respeitam os boxeadores. Daí você passava nas casas das pessoas, nas casas de pais e mães trabalhadores que assistiram aos combates. Era outro nível. Às vezes eu ia a algum bairro e ouvia: “Ei, Mike!”. E pensava: “Quem é essa?”. Era isso que o boxe proporcionava.

Fonte: El País

 
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