A quem puder pagar, nós vamos emprestar, diz presidente da Caixa

Microcrédito a partir de 2021 é uma das apostas da Caixa para o pós-pandemia. Relação com clientes será pautada pela tecnologia


Vocês pretendem alcançar 10 milhões de pessoas com o microcrédito. Quais serão os limites da operação?


Na verdade, a gente não tem um limite. É uma estimativa das pessoas que nós entendemos, mas assim a gente está fazendo análises e pode ser mais, depende da demanda deles. O que acontece dentro do microcrédito é que você tem pessoas com uma renda menor e uma renda um pouco maior, que nem, por exemplo, um limite de crédito, que normalmente vai depender da sua renda. Nós temos uma expectativa que o valor médio seja ao redor de R$ 1 mil. Vai ter gente que vai pegar R$ 400, R$ 500. Mas vai ter gente que vai pegar R$ 2 mil, R$ 2,5 mil. A partir de um determinado ponto já não é mais microcrédito.


Qual é esse ponto?

A gente está analisando. Esse momento é um momento em que a gente está bastante focado. Porque a gente já tem a plataforma, a base de dados. Nós estamos cruzando essa base de dados e nós temos uma outra questão importante que como essas pessoas tiveram que dar uma série de informações, como e-mail, a gente consegue cruzar para ver se essas informações estão válidas, inclusive com o imposto de renda. É uma questão que a gente está nesse momento debatendo. Agora por que que a gente falou nesse número de 10 milhões? Porque a gente sabe que há uma questão da economia e mais do que isso, o microcrédito é uma operação que ela nunca teve apelo no Brasil.



Por quê?

Quando a gente assumiu, dos pontos que eu falei que eram o foco dessa gestão, só um que a gente não atacou: o microcrédito. E por quê? Porque você só consegue fazer o microcrédito em larga escala. Imagina parar a agência da Caixa para fazer um crédito de 500 reais? Não vai conseguir. Agora por aqui você consegue. Porque a gente vai ter, por exemplo, um crédito pré-aprovado. Ou seja, eu já vou aprovar antes, eu não vou esperar você pedir. Eu vou ter um crédito pré-aprovado para as pessoas que têm perfil que a gente entende que seja de microcrédito, que nem tem no ATM.



É um crédito pré-aprovado com alcance muito maior.

A vantagem é que a gente consiga ativar esse ponto do celular que já funciona para 105 milhões de pessoas. De novo, 99% das pessoas que são foco do microcrédito já têm a conta. Nós, ao visitar o Lixão, achamos gente que não tinha nem CPF. Essas pessoas são menos que invisíveis porque não receberam o auxílio, mas elas não tinham documento. A gente está pegando os documentos delas. De quem a gente já tem as informações, nós já estamos trabalhando.


Quando começa a oferta do microcrédito?

Um ponto importante é o seguinte, nós só faremos isso após o auxílio. O pagamento do auxílio na conta digital é até dezembro, só que você tem esse resgate ainda durante janeiro inteiro. Essa é uma questão que a gente está discutindo nesse momento. Eu acho que alguma coisa para o final de fevereiro, começo de março. Esse mês inteiro de janeiro é um mês que você vai ter recebimentos. Então, qual o nosso receio? Se a pessoa receber logo depois, vai achar que é o auxílio. A gente tem que fazer uma comunicação muito bem feita. É importante que a gente tenha uma campanha forte. É importante ter também o ponto físico porque vai ter gente que vai se confundir e ele tem que ir para algum lugar.


Qual o público-alvo do microcrédito? Os informais?

São todas as pessoas que têm perfil de microcrédito. Não só o informal.


A taxa já está definida?

A gente conversa com as taxas do Banco do Nordeste. A gente vai fazer menor. É menor que a do Banco do Nordeste, mas a gente ainda não definiu porque isso vai depender do tamanho da operação. Isso tudo é uma relação do quanto você cobra e quanto você espera de inadimplência. O que posso dizer que vai ser menor que a do Banco do Nordeste que é de 1.8 a 3.8 ao mês. A gente vai reduzir, mas quanto? A gente precisa terminar essa análise.


Quais são as perspectivas para o crédito imobiliário?

Quando a gente lançou ano passado crédito imobiliário corrigido para o IPCA muita gente comentou quese mostrou uma decisão muito acertada, tanto que você teve uma redução do IPCA. Quem fez essa opção ficou pagando menos ainda. A gente está muito tranquilo. Nunca emprestamos tanto. Durante a pandemia, a gente lançou seis meses de carência. Então, segundo dados das próprias associações, nós mantivemos um milhão e meio de empregos e chegamos naquele momento a ter mais do 50% do crédito imobiliário com foco na poupança.

 
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