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Agredir a Lapa não vai tornar o Leblon um lugar melhor’, diz empresário

Dono do Rio Scenarium e agitador cultural, Plínio Fróes escreve sobre o preconceito de comerciantes e frequentadores da Dias Ferreira com o bairro

Um dos principais articuladores da revitalização da Rua do Lavradio e diretor do Polo Novo Rio Antigo, ambos na Lapa, o empresário Plínio Fróes leu a reportagem sobre a Rua Dias Ferreira e considerou preconceituoso o discurso de seus frequentadores e comerciantes em relação ao bairro. Ele escreveu um texto explicando seu ponto de vista, leia abaixo:


Pelo Google Maps, aproximadamente 14 km separam a Rua Dias Ferreira no Leblon, do bairro da Lapa. Ambos representam muito fortemente a histórica, bela e única Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Esses 14 Km podem ser percorridos por cerca de 5 diferentes caminhos; neles você pode passar por diferentes bairros como Lagoa, Santo Cristo, Gamboa, Humaitá, Botafogo, Copacabana, Catete, Ipanema, Flamengo, Laranjeiras. Nestes lugares você encontra a culinária brasileira, japonesa, italiana, comida de boteco.



Você vai encontrar bebidas nas champanherias, enotecas, casas especializadas em cervejas artesanais… botecos…, casas de shows, teatros e… botecos; diferentes estilos musicais e diferentes lugares para dançar com diferentes pessoas! Nesse último quesito, a surpresa se dá a cada cem metros. Se aventurem, recomendo… saiam da Dias Ferreira uma noite e se deem a esse prazer. Essa curiosidade vai crescendo e você vai avançando, e vai conhecer o melhor disso tudo, a DIVERSIDADE DE PESSOAS. Se antes já vivíamos em guetos, a quarentena nos deixou num gueto de poucos metros quadrados. Vamos aproveitar essa volta e aos poucos, com responsabilidade, nos conhecer melhor, isso vai dar muito certo.


Vivemos numa cidade há muito tempo sitiada, alguns podem ainda viver numa bolha de conforto, mas essa bolha está sendo ameaçada há anos e ela tende a se romper. O preconceito de “minha bolha é melhor que a sua” não tem surtido bons resultados, esteja onde você estiver compare a sua liberdade de ir e vir de 10 anos atrás com a de hoje. Estamos na mesma cidade, mas a cidade não é mais a mesma. Eu mudei também, aprendi a conviver melhor com o diferente e como é cada vez mais prazeroso ver que o diferente quis me conhecer também, esse exercício é valoroso.



A interessante reportagem foca na mudança de perfil da Dias Ferreira me motivou a escrever para a revista. Frequentei em momentos diferentes (e frequento) essa rua que já teve restaurantes estrelados, livrarias, expoentes da moda, centros culturais. Aos poucos, como em qualquer lugar do mundo, a rua foi mudando. Hoje, para uma perfil mais de vida noturna jovem, com bares de diferentes perfis, e PESSOAS na rua. O silêncio do refinamento e da sofisticação, foi rompido por esse novo público. Na reportagem, donos de estabelecimentos e frequentadores coincidentemente afirmam estar num lugar bom porque NÃO estão na Lapa. Num dos comentários fala-se que na Dias (sou íntimo da rua) não vende cerveja barata! Isso soa estranho! O prazer de consumir a cerveja deveria ser porque ela traz prazer.


Leblon é Leblon. Gosto do dia e da noite. Estou no Rio há 30 anos e já morei em Santa Teresa, Botafogo, Copacabana e na Rua do Lavradio; e como sou apaixonado pelo Rio, ainda vou morar em Ipanema, Leblon… eu quero viver essa cidade. Lapa é ótima! Gosto exatamente do mesmo jeito. Moro e trabalho nela. Agredir a Lapa e seus frequentadores não vai tornar o Leblon um lugar melhor, o Leblon já é ÓTIMO.



Alguém já disse que a gente mora no lugar que todo mundo queria tirar férias: que certeira essa frase, mas esse alguém falava da cidade inteira, nós temos que pensar assim para que essa cidade seja ressuscitada. Quantas vezes estive com turistas nacionais e internacionais na Lapa, adoraram, disseram que iriam voltar na noite seguinte e eu disse, “Você tem mais algumas poucas noites no Rio, vai conhecer também o outro lado da cidade. Vá em Copacabana, Botafogo, Jardim Botânico, Porto Maravilha, Ipanema e Leblon onde tem um restaurante que espera os notívagos e serve uma comida japonesa inesquecível, o Sushi Leblon”.


Eles sempre foram e de volta aos seus estados e países falaram da saudade da Lapa, da cidade, da comida e agradeceram a experiência de acordar na cidade única que é o Rio e terminar jantando de madrugada no Japão, o Sushi Leblon. A quarentena separou o mundo. Vamos vencê-la com a ciência, amor, o futuro abraço e substituir o PREconceito pelo NOVOconceito. O bairrismo foi vitimado por esse esse vírus maldito. #somostodoscariocas” .


Fonte: Veja Rio

 
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