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Ambientalistas denunciam a caça de jacarés no complexo lagunar de Jacarepaguá

Ambientalistas denunciam a caça de jacarés no complexo lagunar de Jacarepaguá


É comum que, quando em situação de estresse, jacarés briguem entre si e causem mutilações uns nos outros. O fator pode ser observado a partir da disputa por alimento, situação comum em lugares como o Canal das Taxas, no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com o biólogo, entrevistado pelo O Globo e fundador do Instituto Jacaré, a presença dos répteis sem vida é cada vez mais comum nas regiões de Barra e Recreio, principalmente no complexo lagunar de Jacarepaguá. O motivo das mortes não é tão natural e Ricardo Freitas Filho relata já ter encontrado carcaças sem cabeça e marcadas de tiro.


Fruto da caça predatória e maldade das pessoas, o biólogo conta que foram registrados quatro casos similares nas Lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca. Por não ser possível investigar todas as lagoas, acredita-se que o número seja muito maior, pois o Instituto recebe fotos e vídeos de pessoas que atravessam a Lagoa do Marapendi e percebem os animais mortos.


“A gente encontra áreas em que o pessoal retira as vísceras dos animais e joga na beira da lagoa ou do canal. Isso atrai muitas moscas e urubus, o que acaba sendo um indicativo que chama nossa atenção quando estamos em campo”, relata o doutor em Ecologia, que realiza pesquisas e monitoramento da única espécie existente no Rio, a papo-amarelo.


Denúncias da população também apontam a matança em outros cursos d’água, como em Arroio Fundo, Canal do Cortado e Lagoa do Camorim. Entrevistado pelo O Globo, o biólogo Mário Moscatelli, que também acompanha a situação, diz que o principal objetivo da caça é a comercialização da carne.

Além da caça aos jacarés ser uma atividade ilegal, o consumo da carne é contaminado, por causa da quantidade de cianobactérias, ligadas à presença de esgoto na água. Moscatelli relata que já viu, pelo menos, oito animais sem a cabeça. Dentre as formas de matar, destaca o uso de arpão, pistola de arma submarina e até mesmo armas de fogo..


Risco de extinção por caça, perda de habitat e poluição


A caça predatória é somente um dos problemas que assolam a espécie, além da supressão progressiva do habitat natural por causa da extensão urbana e da poluição dos cursos d’água.


Estudioso da espécie na região há 23 anos, Ricardo Freitas destaca que se os animais, que têm um sistema imunológico incrivelmente resistente, não estão sendo capazes de suportar os fatores ambientais e doenças, o risco que a população ao entorno sofre é enorme.


 


 

O biólogo alerta que, se nenhuma medida for tomada pelas autoridades, a tendência é de extinção da espécie no estado. A taxa de reprodução dos répteis tem diminuído cada vez mais, com uma população atual de 87% de machos, que prejudica a multiplicação natural dos jacarés. “Ao contrário do que as pessoas imaginam quando olham o Canal das Taxas, por exemplo, e veem abundância de jacarés, isso não reflete a realidade desses animais em todo o Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Eles se concentram nessa área para tirar proveito do lixo descartado, que usam como fonte de alimentação”, explica Ricardo Freitas Filho.


Além da extinção da própria espécie, o desaparecimento total de jacarés do papo-amarelo pode ameaçar a existência de outros seres deste ecossistema, por ser o predador de toda a cadeia alimentar. “Se for tirado da equação, haverá uma redução abrupta da biodiversidade associada às lagoas. Espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos, por exemplo, morreriam”, detalha. Os órgãos competentes, por outro lado, não dão tanta atenção ao problema, de forma que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não apoia o trabalho de monitoramento do Instituto Jacaré.


A consequência da ausência dos répteis seria a proliferação de pragas. De acordo com Moscatelli, os jacarés são responsáveis por fazer o controle da quantidade de roedores do local, como ratos.


O biólogo também acredita que, se a cidade se preocupasse em preservar os jacarés, poderia estar faturando com o ecoturismo. Assim como o parque temático de Orlando, nos Estados Unidos, “Gatorland”, a ideia de um ambiente de turismo ecológico, com jacarés e muito trabalho de educação ambiental poderia ser implementada em território brasileiro também. “Estamos exterminando as galinhas dos ovos de ouro da Baixada de Jacarepaguá”, diz.


Mário afirma ter repassado a situação à Patrulha Ambiental, órgão de fiscalização ligado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smac). O coordenador da Patrulha Ambiental, José Maurício Padrone informou que o órgão vai intensificar a presença na área.


“Mais importante que a fiscalização são a educação e a prevenção. Então, inicialmente nosso trabalho será de conscientização e informação de que a prática é crime. Em seguida, vamos fazer a patrulha com carro e botes infláveis. Em caso de flagrante, o infrator será preso sob o artigo 29 da lei de crimes ambientais, 9.605/1998, e encaminhado à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente”, detalha o representante. “É importante destacar que ninguém está autorizado a manusear jacaré para qualquer finalidade sem a devida licença”, frisa.


Em relação ao aterramento do habitat dos jacarés pela construção de empreendimentos, a Smac informa que a questão é de gestão do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inea), que, por sua vez, diz não ter recebido nenhuma denúncia nesse sentido. O órgão do estado destaca a importância de as queixas serem registradas na plataforma fala.br, a fim de oferecer subsídios para futuras ações no local.


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