Após ônibus ‘sumirem’, vans se multiplicam na Zona Oeste do Rio


Enquanto mais de 140 linhas de ônibus municipais desapareceram nos últimos meses segundo os póprios passageiros, as vans tomaram conta da Zona Oeste, região mais atingida pelo sumiço dos itinerários. Quem circula pelos bairros de Santa Cruz e Campo Grande percebe que o número de veículos do transporte alternativo nas vias se multiplica, ao passo que os coletivos são mais raros. Na Avenida Cesário de Melo, por exemplo, praticamente não se vê ônibus. Mas vans são encontradas aos montes. E não apenas as legalizadas, mas também veículos irregulares e até piratas.


— Com a ausência das principais linhas de ônibus, as vans e kombis hoje se tornaram um refúgio para nós moradores da Zona Oeste. Se não fossem elas, estaríamos a pé ou entregues ao aplicativos. Estamos totalmente isolados, refém do transporte alternativo. Existem comunidades periféricas em Santa Cruz que só são atendidas por vans e kombis há anos, porque as empresas simplesmente abandonaram aquela região. A população de Santa Cruz vem crescendo monstruosamente e o transporte público não está acompanhando essa evolução — reclamou o comerciário Rafael Monteiro, de 27 anos, morador no bairro.


O número de veículos do transporte complementar autorizados a circular na cidade é de 3.358. A prefeitura não tem estatísticas da pirataria, mas o Sindicato dos Proprietários de Vans estima que sejam pelo menos dois mil piratas. Ontem, o EXTRA flagrou uma kombi fazendo o embarque de passageiros na Rua Senador Camará, em Santa Cruz, o que é proibido para esse tipo de veículo. Já algumas vans circulavam sem a indentificação em faixas padronizadas e exigidas pela Prefeitura do Rio. Algumas até exibiam a faixa lateral pintada na lataria, mas sem informar o itinerário, por exemplo.


Alessandro Carracena, subsecretário executivo da Secretaria de Ordem Pública (Seop), reconhece que a Zona Oeste é uma das regiões mais complicadas no combate às irregularidades do transporte alternativo, mas assegurou que a fiscalização é diária.

— O transporte alternativo é um dos braços dessas organizações criminosas, tanto de tráfico como da milícia. Quando a gente combate (o transporte irregular e pirata), está atacando frontalmente essas organizações criminosas, o que torna a dinâmica do trabalho muito desgastante para nós — afirmou, acrescentando que os pontos mais sensíveis estão em bairros como Pavuna, na Zona Oeste, Bangu e Santa Cruz, na Zona Oeste.

 
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