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Calvície feminina: um problema que vai além da estética

Atualizado: Jun 29

Os cabelos ficam ralos e, aos poucos, o couro cabeludo se torna mais aparente. As mulheres também sofrem com a queda acentuada de fios. O problema piora com o estresse e acende alerta para o

emocional na pandemia

Vários problemas podem estar associados ao cabelo e ao couro cabeludo, como caspa, oleosidade e queda. A calvície é o nome técnico para este último, quando ela acontece de forma acentuada. Os dados mais recentes da Sociedade Brasileira do Cabelo, referentes a 2018, apontam que 42 milhões de brasileiros são reféns da calvície. E, embora as mulheres sejam menos acometidas do que os homens, metade delas tem queixa relacionada à queda dos fios.


O médico dermatologista Daniel Cassiano, da clínica GRU, explica que a calvície é uma doença genética e, no caso da mulher, piora com a menopausa e com o uso de suplementação de hormônios masculinos.

É fato, também, que o ciclo do cabelo é sensível ao psicológico. Mudanças na rotina, ansiedade e estresse, realidade para muitas em tempos de pandemia e isolamento, funcionam como fatores de risco. Um acontecimento marcante, nesse período, pode alterar ainda mais os hábitos alimentares e o padrão de sono, por exemplo. “Esse ritmo gerado pela pandemia pode, sim, encurtar o tempo de crescimento dos fios e somar ao quadro da alopecia”, diz Daniel.

O médico Thiago Bianco, expert em transplantes capilares, vem tratando cada vez mais mulheres com o problema. Ele afirma que a calvície é marcada pelo afinamento e pela diminuição da densidade dos fios, com foco na linha central, no meio do couro cabeludo. O avanço é gradual: “Tanto que, para muitas, é difícil identificar o início da doença”, diz.


Queda de cabelo mais intensa que o habitual, falhas e uma herança compatível que indique calvície anunciam que é o momento de buscar um especialista.



O que é

A alopecia androgenética, termo médico para a calvície, é a queda acentuada de cabelo. Nos homens, as entradas costumam acusar a perda de fios, enquanto que, nas mulheres, a calvície é mais difusa, podendo tomar diversas áreas do couro cabeludo.


Ao longo da vida


Adolescência: o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.

Fase adulta, dos 40 aos 50 anos: calvície aparente Alopecia senil: fios ralos e afinamento difuso


Fatores de risco


Genética Menopausa Suplementação com hormônios masculinos Estresse Acne Obesidade Irregularidade menstrual


Fator emocional

A liberação de cortisol, o hormônio do estresse, pode favorecer o surgimento de quadros inflamatórios que impedem o crescimento adequado do cabelo.


Progressão


Grau 1: há um aumento da linha divisória do cabelo. Neste caso, não há indicação de cirurgia e, sim, tratamento clínico. O quadro tende a melhorar porque os fios ficam mais encorpados.

Grau 2: calvície aparente que precisa ser estabilizada e tratada com medicação. A cirurgia pode recuperar a região acometida, mas não é recomendada isoladamente.

Grau 3: calvície mais agressiva. Recomendam-se tratamentos clínicos e cirúrgicos.


Tratamentos


Podem aparecer associados, para uma melhor resposta ao quadro clínico da paciente, ou isolados, conforme pede o diagnóstico: - Medicações para estimular o crescimento capilar e impedir a atrofia dos fios. - Remédios antiandrogênicos, quando há alteração na quantidade de hormônio masculino. - Transplante Capilar: o médico capilar Thiago Bianco afirma que a cirurgia, que dispõe de métodos avançados, é opção quando os tratamentos clínicos não são satisfatórios, quando a calvície é muito extensa ou não é possível recuperar a densidade do cabelo.


Reação pós-covid-19

Uma em quatro pessoas que se recuperaram da doença relatam perda de cabelo, segundo pesquisa de universidades dos Estados Unidos, México e Suécia.


Funciona?

Xampus fortalecedores, tônicos e opções naturais, como a babosa, não resolvem a calvície. “Trata-se de uma inflamação crônica da raiz do fio, não um problema de fragilidade ou quebra da haste capilar”, justifica o médico dermatologista Daniel Cassiano.



Palavra do especialista


Quais são os primeiros sinais da calvície e quando eles sugerem que a situação é mais séria? Queda de cabelo mais intensa que o habitual, cabelos ralos e mudança na espessura dos fios, com os cabelos fininhos. Esses sinais indicam um problema mais sério quando começam a surgir regiões sem cabelo, ou com pouco cabelo, com o alargamento da risca no couro cabeludo quando o cabelo está dividido ao meio. Quando a queda de cabelos persiste por mais de três meses e chama a atenção, também é preocupante e deve ser pesquisada.


As mulheres sofrem mais os agravantes da calvície, como o estresse? O estresse afeta tanto homens quanto mulheres. Ele aumenta o cortisol na corrente sanguínea e acarreta a queda dos fios. Exercícios físicos, alimentação anti-inflamatória com alta ingestão de alimentos antioxidantes e meditação podem ajudar a controlar o estresse e diminuir a queda de cabelos. Por outro lado, é comprovado, de acordo com uma pesquisa do National Center for Biotechnology Information Search Database (NBCI), que 52% das mulheres com problemas capilares possuem estresse alto ou extremo relacionado diretamente à queda de cabelos, enquanto nos homens esse índice é bem menor (28%).


O cabelo está relacionado à imagem e à identidade e, para muitas, é motivo de orgulho. Como encarar a queda de cabelos e trabalhar a autoestima quando se tem calvície? A calvície feminina pode afetar a autoestima e a confiança. Trata-se de uma experiência delicada e estressante que pode comprometer a vaidade da mulher e afetar sua qualidade de vida e relacionamentos. O uso de faixas e lenços pode ser incentivado para aquelas que gostam, assim como penteados para disfarçar as falhas. Isso concomitantemente ao tratamento capilar. Hoje, existem inúmeros tratamentos disponíveis com bons resultados. A escolha depende da causa, do estágio da calvície e do perfil de cada paciente. Os resultados são individuais.


Paola Pomerantzeff é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), com mais de

10 anos de atuação em dermatologia clínica.

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