Coronavírus: Processos de adoção enfrentam dificuldades na pandemia

Falta de informação e difícil adaptação ao meio virtual são algumas das queixas das mães e pretendentes que passam pelo processo



Era maio quando o telefone tocou para a servidora pública Daniela Mendes. Há cinco meses na fila de adoção, ela recebeu a notícia da assistente social de sua comarca, em Olinda (PE), de que havia uma criança no seu perfil. Hoje, ela e a esposa Maria Helena de Jesus são mães do Anderson, de 9 anos.


No contexto da pandemia do novo coronavírus, os processos de adoção passaram por adaptações em suas etapas, majoritariamente presenciais.  No meio de março, fóruns de diversos estados suspenderam suas atividades e a retomada gradual é feita com o auxílio de ferramentas virtuais.


Daniela conta que tudo foi resolvido por meio de ligações telefônicas e videochamadas. “Depois que a assistente social nos ligou, ela fez a ponte entre nós e a casa de passagem onde nosso filho estava. Nós o conhecemos inicialmente por vídeo, mesmo morando perto do abrigo.” Os acompanhamentos da assistente social, posteriores à adoção, também são realizados virtualmente.


Para a servidora pública, os abrigos e casas de passagem não têm estrutura para a aproximação. “É improvisado. Nós marcávamos uma hora e ligávamos para a cuidadora, uma vez por dia, para conversar com ele. Para a criança, o processo não faz muito sentido. É difícil mantê-la em uma conversa de vídeo por mais de cinco minutos”.

Daniela compartilha que “a visita presencial foi incrível e ao mesmo tempo estranha”. Ela teve que encontrá-lo na área externa da casa de passagem, com distanciamento e usando máscaras. Foi a única vez que o viu pessoalmente antes de levá-lo para casa, cerca de 15 dias depois. 


”Tive a impressão de que existiu uma certa intenção da Justiça em manter as crianças o mínimo de tempo possível nas instalações por conta da pandemia. Lá elas ficam todas juntas. Imagino que pensem na capacidade das famílias em mantê-las isoladas, seguras e num ambiente mais saudável”, reflete Daniela.


Antes de sair da casa de passagem, seu filho fez o teste de Covid-19. Depois disso, a família ficou em isolamento por duas semanas. “Eu prefiro pensar que passamos por uma prova extra de termos nos conhecido numa época de pandemia, sem uma rotina normal de escola e passeios. Mas estamos nos virando bem”, diz.

Fonte: Carta Capital

 
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