Dependente do trigo argentino, Brasil zera tarifa de importação de outros países e gera protestos

Atualizado: Ago 3

Moinhos brasileiros pediram ao Governo a ampliação da cota com tarifa zero a outros mercados com receio de que falte trigo do país vizinho. Argentinos negam risco de desabastecimento


Uma decisão do Governo de Jair Bolsonaro de aumentar a cota de importação de trigo com tarifa zero para países fora do Mercosul gerou protesto dos exportadores argentinos, principais fornecedores do cereal para o Brasil. O Centro de Exportadores de Cereais da Argentina (CEC) rechaçou a medida e afirmou que ela deteriora as condições de acesso ao mercado brasileiro.


A partir deste mês, o Governo brasileiro passou a autorizar um volume extra de importações de 450.000 toneladas de trigo de outros países de fora do bloco regional sem a Tarifa Externa Comum (TEC) de 10%. A cota adicional tem efeito temporário ― até novembro deste ano ― e será ativada apenas caso a utilização da cota atual ― de 750 mil toneladas ―atinja 85% do total.


A medida foi tomada pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério da Economia, após a recomendação da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que alegou dúvidas sobre a capacidade de fornecimento do grão pelo país vizinho até o fim do ano ao mercado brasileiro.


Barbosa ressalta, ainda, que a grande dependência do Brasil na importação do cereal ― cerca de 60% do trigo utilizado no país vem de fora ― aumenta a preocupação da entidade. “O trigo aqui no Brasil é um elemento essencial, e essa dependência é uma vulnerabilidade grande que temos. Como a Argentina hoje é responsável por quase toda nossa importação, qualquer falha lá pode gerar um desabastecimento aqui, pode faltar o pãozinho”, diz.


Na avaliação de Rubens Barbosa, da Abitrigo, se Argentina insiste que terá trigo suficiente não deveria se preocupar com a nova medida. “Se tiver trigo argentino, vai ser comprado de lá, é alternativa internacional mais barata do mercado. Se não tiver, os moinhos poderão recorrer a essa cota”, diz ele. O presidente da Abitrigo defende ainda que a medida foi tomada por uma questão de mercado e abastecimento. “Não houve uma questão política ou ideológica porque o Governo daqui é diferente do de lá”, completou. Segundo a Camex, a nova cota deve ter um impacto positivo sobre a oferta do produto no país, contribuindo para reduzir ou conter eventuais aumentos de preço do trigo.

 
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