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Drama: 6 mil operários morreram na construção dos estádios para a Copa do Mundo em Catar


Parece que o povo agora vai parar de brigar e focar na Copa do Mundo. O Barão não acredita muito nessa história não, mas há quem diga que os reticentes estão se tornando cada vez mais minorias. Pelo menos já podemos circular nas estradas com liberdade. Menos mal. Mas voltando ao clima mais ameno do maior evento esportivo do mundo, pelo menos no quesito futebol, as luzes estão todas voltadas para o Catar que é onde, vocês já devem saber disso há uns quatro anos, serão realizados os jogos que irão apontar a seleção campeã de 2022.


Essa é a parte boa: a civilidade, tão escassa nesses tempos de guerra, glorificando mais uma vez esse grande acontecimento mundial que, em campo, vai nos oferecer momentos maravilhosos, com suas seleções de futebol fazendo de tudo para mostrar o que há de melhor dentro das quatro linhas.

Agora vem a parte pior, revelada pela triste reportagem produzida pelo correspondente do jornal da Band, Yan Boechat na qual ele revela que mais de 6 mil operários, ( isso mesmo, 6 mil operários) morreram durante a construção dos estádios em Catar.


O jornalista viajou até o Nepal, país muito pobre da Ásia meridional, situado entre a Índia e a região do Tibete, na China, próximo aos montes mais altos do planeta, como o Himalaia, e lá constatou a angústia de inúmeras famílias que perderam seus parentes, presumivelmente homens que foram trabalhar no Catar com salários entre R$ 1.100 e R$ 1.400. Estima-se que mais de 2 mil nepaleses morreram durante a construção dos estádios, quase todos camponeses que viviam sob condições desumanas em seu país onde a única atividade que gera algum ganho é a plantação e colheita de arroz.


O pior disso tudo, mostrou a reportagem, é que em sua grande maioria, pelo menos lá no Nepal, as famílias dos mais de 2 mil mortos não receberam nenhuma explicação ou indenização pela perda de seus entes. Nem por parte das empresas contratantes, muito menos pelo governo daquela monarquia do Golfo Pérsico. Os motivos para tão expressivo número de mortos , segundo o que as empresas contratantes alegaram oficialmente, foram no mínimo muito estranhos. Embora quase todos os trabalhadores fossem jovens, os atestados de óbito quase todos diziam a mesma coisa, que os operários morriam por “ataques cardíacos”, mas há suspeitas de que os operários morriam mesmo era de fadiga, além de sofrerem maus tratos durante suas estressantes jornadas junto às empreiteiras.

De acordo ainda com a reportagem de Boechat, Deepak Dhakal, vice-secretário do Comitê de Trabalho Externo do governo do Nepal disse que “infelizmente esses não são os números reais” referindo-se aos mais de 6 mil mortos de 2011 até 2022 e que não só incluíam nepaleses mas também operários da Índia, paquistaneses, cingaleses dentre outra nacionalidades.


- Nós não temos os números reais de mortos porque aqui nós só temos os registros das famílias dos mortos no Catar que vem buscar auxílio. Muitos não vem – completou Dhakal.


Resumindo, ficou uma mancha difícil de ser apagada pelas famílias dos mais de 2 mil nepaleses e dos outros 4 mil desaparecidos, criando assim uma atmosfera cheia de obscuridades e constrastando com o propósito da Copa que em sua essência nos remete a um momento de união entre várias nacionalidades e culturas diferentes quando todas as adversidades são deixadas fora das quatro linhas, exceções a parte, como a Rússia, mas as razões são fortes e todo mundo sabe disso.