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Em aceno a evangélicos, Lula se reuniu com líder da Assembleia de Deus no RJ

Atualizado: Jun 19

Bispo Manoel Ferreira, que é aliado de Bolsonaro e apoiou governos petistas até reeleição de Dilma em 2014, foi recebido pelo ex-presidente no interior do estado; aliados falam em visita de "cortesia"



Buscando se aproximar do eleitorado evangélico, principal base de apoio do governo Jair Bolsonaro segundo pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na semana passada, no Rio, com o bispo Manoel Ferreira, líder da Assembleia de Deus de Madureira, uma das principais denominações do país. Ferreira tem manifestado apoio a Bolsonaro desde as eleições de 2018, mas antes foi aliado do governo Lula e chegou a apoiar publicamente a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

Segundo aliados de Ferreira, o encontro foi uma "visita de cortesia" articulada pelo deputado estadual André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A reunião ocorreu em um sítio de Ceciliano, no interior do estado, antes de Lula seguir para sua agenda oficial no Rio - que incluiu um almoço com o prefeito Eduardo Paes (PSD), na sexta-feira, e conversas com lideranças de esquerda na quinta-feira e no fim de semana.


Procurado pelo GLOBO, o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), líder da bancada evangélica na Câmara e membro da Assembleia de Deus, reiterou que a igreja e o bispo Manoel Ferreira seguem aliados de Bolsonaro. A foto do encontro entre Lula e Ferreira foi divulgada primeiramente nas redes sociais do ex-governador Anthony Garotinho, que disse não ter participado da reunião. Cezinha afirma ter entrado em contato com Garotinho para explicar as circunstâncias do encontro após a publicação da foto.


Também integrante da Assembleia de Deus de Madureira, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) diz que há "gratidão" de Ferreira por conta de uma lei sancionada por Lula, em 2003, que deu personalidade jurídica própria às igrejas, evitando que fossem tratadas como outras organizações associativas, como clubes de futebol.



Um aliado do ex-presidente Lula disse reservadamente que o encontro faz parte da tentativa do PT de "reelaborar a relação" com o segmento evangélico, mas de forma gradativa. Pastores considerados mais progressistas são críticos à postura de lideranças das principais igrejas do país, que apoiaram Bolsonaro em peso nas eleições de 2018, lista que inclui pastores como Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

Na visão da cúpula petista, Manoel Ferreira e a Assembleia de Deus de Madureira são parte de um ramo evangélico mais "tradicional", que não necessariamente acompanhará lideranças neopentecostais em apoios eleitorais. Nas eleições municipais de 2020, Abner manifestou apoio em São Gonçalo à candidatura de Dimas Gadelha (PT), que acabou derrotado pelo bolsonarista Capitão Nelson (Avante), apoiado por outras lideranças evangélicas, como Malafaia.




Segundo o Datafolha, em pesquisa divulgada em maio, 33% dos evangélicos consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, enquanto 35% o avaliam como ruim ou péssimo. Foi a primeira vez que a avaliação negativa ao presidente superou a positiva neste segmento. Em janeiro, 40% dos evangélicos avaliavam positivamente o governo, e 30%, negativamente.

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Nesse intervalo, a aprovação geral a Bolsonaro em toda a população caiu de 31% para 24%, enquanto a reprovação subiu de 40% para 45%.

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