Mesmo com auxílio emergencial, crise empurra desempregados para viver na rua

O número de sem-teto aumentou na cidade de São Paulo desde o início da pandemia, de acordo com serviços de atendimento voluntário às pessoas em situação de rua


1- O número de pessoas nas ruas aumentou na cidade de São Paulo desde o início da pandemia, segundo serviços de atendimento voluntário a sem-teto da cidade.


2 - De acordo como o movimento estadual da população em situação de rua, o número de refeições que eles oferecem para pessoas em situação vulnerável cresceu de 200 pratos, por dia, para 2.000. "Muitas pessoas que ficaram sem dinheiro passaram a viver na rua", diz o presidente do movimento, Robson Mendonça.


3 - A crise gerada pelo coronavírus levou embora, no fim de março, o emprego de carteira assinada de Jocelino da Silva Lima, de 47 anos, que trabalhava em uma prestadora de serviços de limpeza em São Paulo. Sem renda, o cearense, natural de Fortaleza, se viu obrigado a devolver em abril a kitnet que alugava, por 600 reais, na região central, e teve que começar a viver nas ruas da capital com apenas três mudas de roupas dentro de uma sacola vermelha.


4 - É uma situação muito triste, durmo aonde dá. Às vezes, no papelão no Vale do Anhangabaú. Tento vagas em albergues também. A minha vida se tornou procurar diariamente um lugar para dormir”, conta Jocelino entre uma garfada e outra na marmita de arroz e frango, que foi buscar na quadra dos Sindicato dos Bancários, onde o Movimento Estadual da População em situação de Rua está servindo diariamente almoço e café da manhã.


5 - Quando recebi a primeira parcela do auxílio emergencial, pensei em tentar voltar a alugar um lugar, mas o dinheiro iria embora só no aluguel. Teriam outras contas e a comida. A gente também não sabe até quando o Governo vai continuar pagar, eles já falaram que vão diminuir, então fica ainda mais difícil conseguir”, diz Jocelino.


Jocelino

6 - Robson Vasconcelos, de 28 anos, já está há alguns meses morando em um albergue que acolhe pessoas em situação de rua. Mesmo com o auxílio emergencial, ele não conseguiu achar um local para alugar. "Na verdade consegui comprar um pouco de roupa e um celular", conta.

Robson Vasconcelos

7 - Segundo o censo municipal de São Paulo, a população de rua na cidade somou 24.344 pessoas em 2019, um salto de 53% em quatro anos. Em 2015, as pessoas nessa situação somavam 15.900.



8 - Maria Ursula Gomes, de 43 anos, vive em uma barraca no centro da cidade há vários meses. com problemas de saúde, ela tenta uma aposentadoria por invalidez. "É a única forma de eu sair da rua".

 
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