Milícia invade apartamentos e vende imóveis de condomínio na Praça Seca, denunciam moradores


Moradores de um grande condomínio da Rua Barão, na Praça Seca, em Jacarepaguá, estão sofrendo com a ação de milicianos que começaram a bater de porta em porta para cobrar taxas de segurança. Além disso, pelo menos seis apartamentos cujos proprietários não estavam em casa foram vendidos no espaço de tempo de cerca de três meses. Os imóveis já estão ocupados por outras famílias.


São 17 blocos com 270 apartamentos, em frente ao Comunidade Residencial Aeronáutica, com 656 apartamentos em 41 blocos, que também sofreu com a tentativa da ação de milicianos em cobrar taxas de segurança mensais dos condôminos no ano passado — como informou o EXTRA em reportagem publicada no dia 17 de agosto. Com a presença de militares, a coação não foi à frente.


— De uns tempos para cá a gente literalmente está notando a ascensão da milícia local. Venderam seis apartamentos num período de aproximadamente três meses. A última venda foi feita na semana passada de um apartamento de uma moradora que deixou o imóvel há um tempo. Já tem uma família morando lá. E a gente está ficando preocupado porque, há algumas semanas, bateram na minha porta se apresentando como pessoas da segurança e alegando que agora não é mais com o síndico, era com eles. Desconversei dizendo que não estava preparado. Porque a gente sabe que se der uma vez isso vira um costume. Já bateram na porta de apartamentos de vários blocos aqui no condomínio fazendo isso, pedindo R$ 50 de taxa — relatou um morador, que não será identificado por motivo de segurança.


Rodízio para manter a casa cheia


Por causa de sua recusa em ceder à pressão dos milicianos, jovens com pouco mais de 18 anos enviados para a cobrança, o morador disse que passou a fazer um rodízio com as pessoas que moram com ele para que o imóvel não fique vazio.

Ele disse que um senhor de idade em cuja porta eles bateram recentemente quase infartou. O morador contou que vizinhos foram, há cerca de duas semanas, na 28ª DP (Campinho) fazer uma denúncia.


— Mas o policial disse que não dava para abrir uma ocorrência por que quem tem que fazer isso é o próprio morador lesado.


O delegado titular da 28ª DP, Antônio Ricardo Nunes, disse que o policial agiu de forma errada e pediu aos moradores para retornar à delegacia nesta segunda-feira, para serem atendidos por ele mesmo.


— Esse policial não agiu corretamente. Se for identificado será punido. peço aos moradores que retornem à delegacia para conversar comigo pessoalmente — pediu Antônio Ricardo.


Investigação em curso


Por meio de nota, a polícia informou que já existe uma investigação em curso sobre a ação de milicianos naquela região e que cidadãos que se sintam amedrontados podem fazer o registro de ocorrência em qualquer delegacia, não sendo necessária a ida à unidade da área.


“Após cerca de 10 anos sem uma política efetiva de combate às milícias, a atual gestão do governo do estado, por meio da Polícia Civil, criou uma Força-Tarefa para coibir este tipo de crime. Já existe, inclusive, investigação em curso a respeito da atuação de milícias em conjuntos desta área e maiores informações não podem ser passadas para não atrapalhar o andamento. Conforme cresce o grau de confiança da população na nova política de segurança, o número de denúncias tende a aumentar e a Polícia Civil garante que irá averiguar todas. Sendo assim, a Polícia Civil ressalta que o cidadão pode usar qualquer delegacia para fazer uma denúncia ou buscar ajuda, não precisa ser necessariamente a do seu bairro. Todas estão aptas à atender a sociedade da melhor forma possível", diz a nota da corporação.


O morador afirma que condôminos já têm informações sobre especialistas contratados para as invasões.

— A gente já tem informação sobre um chaveiro local que veio fazer essas aberturas de portas, e sobre um porteiro daqui que cobra taxa de pessoas que têm um apartamento vazio. E ele, porteiro, cobra uma taxa extra da pessoa para fazer a tal segurança e ficar de olho no apartamento da pessoa. Olha o grau de estágio de coação que a gente está vivendo! E é o mesmo porteiro que está sempre presente nas invasões, de cobrança de taxas. A invasão mais recente é do apartamento 403 do bloco G. Já tem gente morando. Houve uma tentativa no bloco H. Invadiram um apartamento para ver se tinha coisas. Depois, a pessoa que mora lá botou um cadeado com corrente. Mesmo assim, depois tentaram invadir novamente. Um vizinho abriu a porta e a pessoa que tentava invadir saiu em disparada — contou.


— É um sentimento de insegurança, de impotência enorme. A gente sabe que é uma coisa que vem tomando parte do nosso estado. E sabemos que tem a nossa vida, em que trabalhamos diariamente. Quando saio de casa agora fico nessa insegurança. Nessa impotência de sair sem saber se vou voltar com a minha casa invadida — desabafou.

O condomínio fica próximo ao Morro São José Operário, dominado por milicianos.

 
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