O ‘Iphone cerebral’ está a caminho

O Facebook desenvolve um sistema que permite escrever apenas pelo pensamento, Elon Musk pretende dotar o cérebro de inteligência artificial ... Estes são os principais projetos neurotecnológicos em desenvolvimento



As interfaces cérebro-computador (ICC) ou interfaces cérebro-máquina são tecnologias que estabelecem comunicação direta entre o cérebro humano e uma máquina externa, geralmente um computador ou um circuito eletrônico. Esses dispositivos podem ser usados em contextos de pesquisa, básica e clínica, ou para consumo pessoal.


As ICCs registram a atividade neuronal direta ou indiretamente e podem ser elétricas, ópticas, magnéticas e até acústicas. Há dois tipos de ICC: invasivas e não invasivas. Dispositivos invasivos requerem neurocirurgia e são inseridos no cérebro, comunicando-se com o exterior por meio de cabos ou por um sistema sem fio. Os não invasivos não requerem cirurgia e são colocados no topo do crânio, como se fossem uma espécie de boné ou adereço de cabeça.


Por que as ICCs são importantes?

As ICCs permitem o acesso externo à atividade cerebral e sua modificação. Como os circuitos cerebrais geram a atividade mental e o comportamento humano, as ICCs podem permitir decifrar a atividade cognitiva e manipulá-la de modo seletivo. Experimentos em animais de laboratório na última década mostraram a possibilidade de mudar e manipular percepções sensoriais, a memória e os comportamentos. Embora as ICCs tenham sido inicialmente projetadas para ajudar pacientes neurológicos com cegueira, paralisia ou outras deficiências, as não invasivas poderiam até substituir os iPhones, já que, afinal de contas, os smartphones simplesmente servem para conectar o usuário com a Internet. Com as ICCs, a largura de banda dessa conexão seria muito maior, e a conexão seria imediata, sem a necessidade de usar os dedos ou os olhos.


ICC no mundo acadêmico


A DARPA, a agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, é a principal incentivadora do desenvolvimento da ICC, como parte da iniciativa BRAIN. Em 2017, uma equipe da Universidade Columbia recebeu uma doação de 15,8 milhões de dólares (87 milhões de reais) da DARPA para fabricar um chip de silício ultrafino e flexível (CMOS) de dois centímetros quadrados, com um milhão de eletrodos de registro neuronal e 100.000 de estimulação neuronal. Este chip sem fio foi projetado como uma prótese para cegos, conectando diretamente seu córtex visual a uma câmera. Mas, em princípio, poderia ser implantado em qualquer área do córtex cerebral para conectá-lo a computadores e máquinas, e em pessoas que não sejam necessariamente pacientes. Atualmente este chip está sendo testado em macacos para depois passar a pacientes humanos.

A DARPA também está financiando a Universidade da Califórnia, que recebeu 21,6 milhões de dólares (119 milhões de dólares) para desenvolver um microscópio capaz de visualizar 1 milhão de neurônios e ao mesmo tempo estimular 1.000 deles com precisão máxima. A Universidade Brown recebeu 19 milhões de dólares (105 milhões de reais) da DARPA para criar "neurogrãos", minúsculos dispositivos sem fio capazes de interagir com neurônios individuais.


ICC na indústria

O objetivo da Neuralink, empresa de Elon Musk, é criar ICCs invasivas para ampliar a cognição dos humanos, dotando o cérebro de inteligência artificial. A Neuralink já arrecadou 158 milhões de dólares (870 milhões de reais) em financiamento e desenvolveu um robô de neurocirurgia que é capaz de inserir eletrodos no cérebro com extrema precisão, sem danificar o sistema vascular

 
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