Pandemia está descontrolada nos EUA, diz epidemiologista da Casa Branca

O epidemiologista Anthony Fauci disse que os EUA encontram-se numa situação "muito difícil" e manifestou preocupação com a possibilidade de se verificar um aumento de casos em janeiro, admitindo que a evolução pode ser pior até do que a de dezembro. "Acho que temos de presumir que vai piorar", considerou.


O principal epidemiologista da Casa Branca, Anthony Fauci, reconheceu esta terça-feira que a pandemia de covid-19 está fora de controlo nos Estados Unidos, país que regista números recorde de infetados em hospitais.


A fase da pandemia pela qual os Estados Unidos estão a passar "está fora de controlo em muitos aspetos", disse Fauci, numa entrevista à televisão CNN.


"Se olharmos para a evolução, tivemos um pico [de casos de infeções] no final do inverno/início da primavera de 2020" e "uma recuperação no início do verão", mas agora "estamos num pico cuja inflexão para pior é muito acentuada", admitiu.


Segundo o epidemiologista, os Estados Unidos encontram-se numa situação "muito difícil", já que não têm nenhum ponto de referência baixo em termos de contágios, a partir do qual "se possa controlar a expansão comunitária através da identificação, isolamento e acompanhamento dos contactos".


Anthony Fauci manifestou preocupação com a possibilidade de se verificar um aumento de casos em janeiro, admitindo que a evolução pode ser pior até do que a de dezembro, mês em que o país tem registado subidas diárias e sem precedentes de casos de infeções.



Entre 100 mil a 200 mil infeções por dia


"Acho que temos de presumir que vai piorar", afirmou, acrescentando que atualmente os Estados Unidos registam entre 100 000 e 200 000 infeções por dia, mas "num período de dezembro, esteve acima de 200 000".


"Espero que não alcancemos novamente [esse valor diário]", disse, lembrando que com os casos vêm os internamentos e com os internamentos vêm as mortes.




Face a este cenário, Fauci, que foi escolhido pelo Presidente eleito dos EUA Joe Biden para ser o seu principal conselheiro sobre temas de saúde, recomendou continuar a praticar "as coisas simples" que têm sido feitas.


Admitindo que "já é tarde demais" para restringir as viagens nesta altura do ano -- "porque estamos em plenas férias de Natal e Ano Novo e as pessoas já viajaram -- Fauci adiantou que se está a tentar fazer com que "as pessoas viajem menos, e que quem já o fez, não se reúna em grandes grupos de pessoas, mas apenas com a família mais próxima".


Quando um grande grupo de pessoas se junta "para jantar num ambiente fechado e com pouca ventilação é quando se mete em problemas", avisou.


Mais de 335 mil mortes nos EUA desde o início da pandemia


Os Estados Unidos são o país do mundo mais afetado pela pandemia, com mais de 19,3 milhões de casos de covid-19 detetados e mais de 335 000 mortes, de acordo com dados da Universidade John Hopkins.


De acordo com o 'Covid Tracking Project' (Projeto de Rastreamento de Covid), os EUA registaram, na segunda-feira, um recorde de número de hospitalizações desde o início da pandemia, com 121 235 doentes a serem internados devido à doença, dos quais 22 592 em unidades de cuidados intensivos.


A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1 775 272 mortos resultantes de mais de 81,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 
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