Pandemia faz crescer o número de lojas, bares e restaurantes fechados no Centro do Rio

Atualizado: Nov 6


Dono de uma banca de jornal na Rua Primeiro de Março há 30 anos, Carlos Fabiano Rodrigues viu protesto, arrastão, briga, ao longo do tempo. Mas nunca tinha visto um cenário de "eterno feriado". Só entre o trecho entre o Beco dos Barbeiros e a Rua do Ouvidor, ele conta seis lojas fechadas, todas durante a pandemia de Covid-19. Do outro lado, entre a Praça Quinze e a Ouvidor, cinco lojistas baixaram as portas, dois deles a partir de março, e não reabriram.


— Antes, eu ficava aberto até 21h. Hoje, tudo fica deserto. Estou fechando às 18h. A Primeiro de Março me lembra Detroit, nos Estados Unidos, que teve seus tempos áureos e, depois, virou uma cidade fantasma — compara ele.



Com muitos funcionários de órgãos públicos, empresas e escritórios em home office, além de estabelecimentos comerciais que não conseguiram sobreviver ao coronavírus, a cena se repete por vias do Centro. Tantos negócios em queda livre se refletiram em queda de arrecadação do governo. A Secretaria estadual de Fazenda contabiliza uma perda no bairro com tributos — cerca de 80% de ICMS — de R$ 457,8 milhões, se comparados aos nove primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2019.


— O comércio do Centro já vinha mal com a crise econômica e a desordem urbana, o excesso de camelôs e de população de rua. A Covid foi a pá de cal — lamenta Aldo Gonçalves, presidente do Sindicato dos Lojistas e do Clube dos Diretores Lojistas do Rio, que estima em três mil (20% do total) as lojas fechadas, temporária ou definitivamente, no Centro, a metade após março.

O impacto foi ainda maior em bares e restaurantes.

 
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