Por que a testosterona é tão importante para a mulher? Ajuda na libido e a ganhar músculos? Entenda

Conhecida como "hormônio masculino", a substância está presente em menor quantidade no organismo da mulher e é essencial para a qualidade de vida feminina


A testosterona é conhecida como o "hormônio masculino". Mas você sabia que ela também é importante para a saúde da mulher? Da libido ao tônus muscular, a testosterona tem um papel importante no corpo feminino, só que é preciso estar alerta: o uso indevido da substância pode acarretar efeitos colaterais desagradáveis e colocar em risco o bem-estar.

Nesta matéria da seção Quero Saber, da Revista Donna, convidamos a médica Maria Celeste Osório Wender, professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFRGS, e o médico Gustavo Arantes Rosa Maciel, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), para tirar as principais dúvidas sobre o tema. Confira o nosso site...


É verdade que as mulheres têm testosterona no corpo?


A testosterona é conhecida como "hormônio masculino" porque aparece em maiores quantidades no corpo do homem. Entretanto, também se faz presente na mulher em baixos índices. Assim como o hormônio feminino, o estrogênio, é importante para os homens, explica o ginecologista Maciel:


– Claro que em quantidades diferentes, mas são importantes para ambos. A testosterona tem relação com a massa muscular, com o ânimo, a questão sexual. Isso em pequenas quantidades para a mulher, porque o homem chega a ter de 10 a 15 vezes mais testosterona.



A testosterona influencia na libido feminina?


A ginecologista Maria Celeste explica que sim, há relação entre os níveis de testosterona e o desejo sexual da mulher. No entanto, a médica destaca a complexidade da libido feminina, pois é composta por inúmeros fatores. A correlação direta entre baixa testosterona e piora no desejo sexual não é tão fácil de ser diagnosticada e é rara, principalmente entre mulheres jovens.


– Há uma gama complexa de efeitos para aumentar ou diminuir a libido. Existem vários fatores que exercem influência, dos emocionais até a nível de sistema nervoso central com outros neurotransmissores -avalia Maria Celeste, que também faz parte da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Sul (Sogirgs). – A dopamina é o neurotransmissor central mais relacionado com a libido, por exemplo. Por outro lado, o neurotransmissor central que tem um efeito negativo é a serotonina. O hormônio masculino aparece apenas como um dos vários fatores que podem afetar a libido. 

Baixa testosterona na mulher pode causar sintomas de depressão?


Não há consenso sobre essa correlação na literatura médica. Segundo a médica Maria Celeste, alguns pesquisadores tentaram estabelecer essa proximidade entre causa e efeito, porém, não obtiveram sucesso. Apenas em casos raríssimos e específicos que se pode cogitar uma ligação entre testosterona e desânimo, pontua a especialista:


– Há um caso de exceção, que se aceita testar o tratamento de uma mulher com hormônio masculino, que é aquela mulher jovem, com menos de 50 anos, antes da menopausa, que fez cirurgia e retirou os dois ovários. Aí, ela perde uma fonte de produção do hormônio masculino. Ela eventualmente pode vir com uma queixa muito objetiva de libido e energia diminuída. Essa seria uma mulher de exceção, que poderia se beneficiar da reposição de testosterona e também do hormônio feminino. 


Já o médico Maciel lembra que esse quadro de falta de energia e ânimo costuma aparecer na época da menopausa, período em que há uma baixa hormonal generalizada. Por isso, é preciso adotar um olhar global sobre a saúde da mulher nessa fase, defende o especialista da Febrasgo:


– Não é só a testosterona, mas a falta do hormônio feminino, o estrogênio, que tem um impacto muito grande nesse momento de perda hormonal. É isso que chamamos de síndrome do climatério, são esses sintomas relacionados à perda de hormônios. 

Como saber se estou com níveis baixos de testosterona?


Os dois ginecologistas consultados pela reportagem fazem o mesmo alerta: os exames de sangue que identificam a baixa testosterona na mulher não são 100% confiáveis. Isso ocorre porque o procedimento foi criado para analisar excesso de hormônio masculino, e não a falta dele no organismo. 


– É errado olhar um exame de sangue em que a quantidade de testosterona da mulher esteja próximo do limite inferior ou até abaixo e dizer que tem que repor, que está com falta do hormônio. É inadequado do ponto de vista científico. Não existe isso de olhar o resultado do exame de sangue e sair tratando – reforça Maria Celeste, da Sogirgs.

A médica esclarece que o exame é usado para confirmar se alguns sintomas relatados pela paciente podem estar relacionados a uma alta da testosterona no corpo da mulher:


– Se ela tem uma manifestação de pelos aumentados, engrossamento da voz, queda de cabelo. Essas são justamente as desvantagens de usar o hormônio masculino quando não se tem indicação. Mulher tem hormônio masculino em nível mais baixo, se aumentamos, começam a acontecer os efeitos adversos. 


Preciso repor testosterona na menopausa?


Especialista da Febrasgo, Maciel reforça que todos os hormônios apresentam uma baixa produção na época da menopausa. A reposição hormonal das substâncias femininas aparece como um caminho para melhorar a qualidade nessa fase, amenizando os sintomas que podem ir desde a ansiedade até os "calorões". Mas, segundo o ginecologista, repor testosterona inclusive na menopausa ocorre apenas em casos muito pontuais:


– Existe uma condição que se chama "desejo hipoativo" na menopausa que, às vezes, a pessoa, por uma deficiência muito grande testosterona, e, após o tratamento de reposição hormonal tradicional, ainda não responde bem. Daí pode se beneficiar da reposição específica de testosterona. São casos especiais, não é todo mundo.


Já a médica Maria Celeste confirma que os níveis de testosterona na mulher vão reduzindo conforme a idade avança, independentemente da menopausa. Quando chega o fim da vida reprodutiva da mulher e não há reposição hormonal ocorre uma mudança no equilíbrio do corpo feminino, ressalta a ginecologista:

– Ela deixa de produzir os hormônios femininos e não repõe, passa a ter um balanço diferente, tem quase mais hormônio masculino do que feminino. Se lembrarmos de uma mulher de 70 anos que já está na pós-menopausa e não faz reposição hormonal, vemos o aumento do volume abdominal, deixa de ter gordura de glúteo, mama e quadril, que é a distribuição corporal masculina. Passa a ter aumento de pelos, no queixo, no buço, pode perder o cabelo com maior velocidade. É a prevalência de hormônio masculino.

Posso tomar testosterona para ficar mais musculosa?


A testosterona está ligada, sim, ao ganho de massa muscular. Em sua composição biológica, o corpo feminino tem baixa testosterona e menos capacidade de ganho de músculos do que o masculino. E é por isso que algumas mulheres buscam a ajuda da substância para ficarem mais musculosas, o que, na prática, apresenta resultados. O problema, segundo a médica Maria Celeste, são os efeitos colaterais. A especialista indica: unir alimentação saudável e exercícios físicos é o caminho mais seguro para alcançar os resultados desejados – e possíveis.


– O uso inadequado de hormônio masculino pode trazer, a curto prazo, o efeito de maior volume muscular, mas acompanhamos as mulheres e sabemos que isso traz efeitos adversos na carona. Queda de cabelo, engrossamento de voz, oleosidade de pele e cabelo, acne, aumento do clitóris, além de efeitos metabólicos, do ponto de vista da saúde. Não entre nessa onda – diz a ginecologista.


Fonte: gauchazh

NATHÁLIA CARAPEÇOS

 
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