anuncio cabeçario site.png
Buscar

Regimes totalitários: quando o cidadão não pode nem amassar o jornal para jogar no lixo

Vocês sabiam que na Coreia do Norte não se pode dobrar ou amassar o jornal já lido para jogar no lixo? Sim, porque segundo os critérios totalitários daquele país esse gesto configura um desrespeito à imagem de seus líderes, geralmente estampados nas capas dos diários norte-coreanos. Dobrar ou amassar a foto de alguma liderança comunista é crime na Coréia com penas severas que, com certeza, eu não queria nem saber o que eles fariam com o pobre “infrator”.



Isso é apenas um exemplo de como o estado totalitário e conservador vem ultimamente interferindo na vida dos cidadãos em grande parte do mundo. Mas não é só naquele país asiático governado por um louco que esse tipo de coisa acontece. Os direitos civis são o que menos importa em países como Rússia, China ou mesmo Irã, que inclusive vem sendo alvo de protestos do bloco ocidental por causa da morte de uma jovem de apenas 22 anos, presa pela polícia da “moral e dos bons costumes” iraniana e depois aparecida morta. Sua infração: estar usando de forma incorreta um véu. A polícia de lá alegou que ela veio a óbito por causa de um “ataque do coração”, (observe que eles são ruins até pra mentir) mas seu primo, que mora no Iraque revelou que a história não foi bem essa. A jovem Mahsa Amini morreu devido a um forte golpe na cabeça desfechado na sua prisão por um policial dos “bons costumes”. Ou seja, a menina foi assassinada pelo estado. Tudo, claro, em nome de deus. Não o Criador, mas um deus inventado pelo homem para fins criminosos.


Assim fica difícil um entendimento entre Ocidente e Oriente. O presidente da Rússia, Vladimir Putim, sanguinário que destruiu milhares de vidas e famílias ao invadir a Ucrânia por entender que seu país corre risco de se ocidentalizar, sempre alegou que a Rússia nunca foi aceita pelo bloco ocidental. Uma vez vi uma entrevista em que ele se reportava a esse isolamento social. Dizia ele na ocasião, que sempre foi marginalizado nos encontros entre estadistas internacionais e que a única liderança representativa da União Europeia que o via com o respeito de um chefe de estado era a ex-chanceler alemã, Angela Merkel. Mas, meu caro Putin, ao desprezar a diplomacia e usar o belicismo, assim fica difícil, né? Claro que em se tratando de geopolítica, ninguém é santo. O que move as relações entre os países, sejam do ocidente ou oriente são as relações econômicas e os interesses políticos, geralmente norteados pelo desejo de poder.


Pois bem, depois de fazer uma lambança no cotidiano dos ucranianos e prender mais de 3 mil russos em seu próprio país por serem contra a invasão à Ucrania, Putin agora quer adotar regras mais rígidas para controlar sua própria população contra o que ele denomina de “ocidentalização”. O parlamento russo acaba de aprovar um pacote de medidas restringindo uma série de liberdades individuais, ´principalmente no que se refere à propaganda nos meios de comunicação (filmes, internet, etc) do que eles chamam de “relações não-convencionais”, como homossexualidade, por exemplo. Teve época nos tempos da União Soviética, que mascar chiclete era símbolo de ocidentalização, assim como usar uma calça jeans. Mas nos corredores palacianos os poderosos se acabavam no álcool e na vodka em ambientes aromatizados com o delicioso cheiro dos charutos cubanos.


Eu acho que a vida particular de cada pessoa só interessa à ela. Se o cidadão é homo, bi ou hétero, se é católico ou mulçumano, se torce pelo Barcelona ou o Arapiraca, isso não deveria interessar ao governo. Não é da conta dele. Nos governos conservadores e totalitários essa interferência tem um peso muito grande e as sanções são ainda piores. Imagina você ser preso por uma “polícia de bons costumes” de um desses países? imagina o que eles devem fazer com esse infeliz dentro de uma prisão de segurança máxima, ou mesmo num campo de concentração na Sibéria? Com certeza não é apenas dar um golpe mortal na cabeça, como fizeram com a jovem iraniana. Se eles costumam envenenar até seus adversários políticos, imagina um cidadão comum.


Então, cabe um alerta para nós aqui do ocidente que estamos entrando nessa vibe do conservadorismo, no marketing do nacionalismo fundamentalista, no aumento dos casos de racismo, homofobia, desrespeito às instituições, (vide caso apoteótico do psicopata Roberto Jeferson) e toda essa histeria coletiva que assistimos nas ruas nesses últimos momentos da campanha para eleição presidencial por parte dos dois grupos políticos, principalmente os militantes.


A luz vermelha foi acesa. E todo cuidado é pouco com o que se fala e se ouve. Bico calado e voto consciente. Ninguém precisa saber em quem você vai votar. Nada de doutrinar as pessoas. O voto é secreto.


Que vença aquele que as urnas revelarem e que o estado de direito seja respeitado de forma civilizada, termo que o brasileiro parece ter perdido a noção do que ele representa.