Seca extrema revela história macabra da máfia de Las Vegas

Devido ao calor extremo, o lago Mead, em Las Vegas, EUA, está a ficar sem água. À custa disso, já foram descobertos restos humanos que poderão remontar aos anos 80. A máfia de Las Vegas pode estar envolvida nas mortes e está interessada no "controlo climático".



O lago Mead, em Las Vegas, está a sofrer com a seca extrema

O súbito interesse da máfia no reservatório de água, que fica a 30 minutos de carro da "Strip" (secção de 6,7 quilômetros da Las Vegas Boulevard, onde se localiza a maioria dos hotéis e casinos da zona) de Las Vegas, levanta questões quanto à forma como os cadáveres foram parar ao fundo do lago.



Um antigo advogado da máfia de Las Vegas, Oscar Goodman, revela que os antigos clientes parecem interessados no "controlo climático", depois de terem surgido restos humanos no reservatório do rio Colorado, afetado pela seca.


Goodman, que também cumpriu três mandatos como presidente da câmara de Las Vegas, afirma que a máfia quer que o nível de água do lago se mantenha elevado.


Mas os prognósticos não são os melhores. O nível de água do reservatório já baixou 52 metros desde 1983, devido aos efeitos das alterações climáticas, estando reduzido a cerca de 30% da capacidade.


O ex advogado da máfia de Las Vegas assevera que o lago Mead "não era um mau lugar para despejar um corpo". "Não se sabe o que vamos encontrar no Lago Mead", acrescenta.


Os primeiros restos mortais de humanos foram descobertos a 1 de maio, quando um corpo foi encontrado dentro de um barril perto da costa do reservatório de água. Objetos pessoais encontrados no interior do barril sugerem que o indivíduo morreu nos anos 80, de acordo com um detetive de homicídios. O gabinete do médico legista do condado de Clark está a tentar determinar a identidade dessa pessoa. A polícia disse que planeava recrutar peritos na Universidade de Nevada, Las Vegas, para determinar a idade do barril.


Barril de metal já bastante deteriorado encontrado perto do local onde foi encontrado o barril com o corpo

No sábado, duas irmãs que estavam fazendo paddle no lago encontraram ossos humanos a cerca de 14,5 quilómetros do local onde o barril foi descoberto.


Depois de detetarem um osso da mandíbula, perceberam que os restos mortais eram humanos e comunicaram aos funcionários do parque.


A polícia de Las Vegas disse que não está investigando o caso como homicídio. O gabinete do médico legista do condado de Clark também está examinando estes restos mortais enquanto as autoridades tentam determinar a identidade.



Um professor de história da Universidade de Nevada, Las Vegas, Michael Green, reitera que "se o lago perder muito mais água, é bastante provável que surjam algumas coisas muito interessantes à superfície".


Geoff Schumacher, vice-presidente do Museu Mob - Museu Nacional do Crime Organizado e Aplicação da Lei, em Las Vegas, afirma que mais corpos serão descobertos.


"Acho que muitos destes indivíduos provavelmente terão sido vítimas de afogamento", disse Geoff Schumacher, referindo-se a barcos e nadadores que nunca foram encontrados. "Mas um barril soa a golpe de máfia", garante.


Geoff Schumacher e Michael Green relembraram a morte de John "Handsome Johnny" Roselli, um mafioso de Las Vegas, de meados da década de 1950, que desapareceu em 1976, poucos dias antes de o seu corpo ser encontrado num barril de aço de 208 litros a flutuar ao largo da costa de Miami.


A descoberta de restos humanos e a envolvimento da máfia nestas mortes está a ser muito debatida, mas importa também falar do problema da seca extrema. Michael ​​​​​​Green, professor de história da Universidade de Nevada, reitera que o importante é abordar a evidência visível de que o Ocidente "tem um grave problema de água".

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