Terremoto no Vaticano': o escândalo de corrupção que levou à 'renúncia' de um dos cardeais

Cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior importância dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé. Mas por quê?


O cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior importância dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé na quinta-feira (24/09)


"O Santo Padre aceitou a renúncia do cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dos Direitos do Cardeal, apresentada por Sua Eminência o Cardeal Giovanni Angelo Becciu", afirmou o lacônico comunicado.


Mas em um movimento inesperado, o cardeal revelou à imprensa italiana que sua renúncia não havia sido voluntária, mas ocorreu a pedido do Papa Francisco, pelas denúncias de corrupção que pesam contra ele.


Becciu disse que foi pressionado pela Santa Sé sob a suspeita de que "ele havia dado dinheiro da Igreja a seus irmãos", algo que negou categoricamente .


"Não roubei um euro. Não estou sob investigação, mas se me mandarem a julgamento, vou me defender", disse ele.


Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (25/09), Becciu disse que seu impeachment veio "como um raio vindo do nada" e que o papa "estava sofrendo" quando deu a notícia.


"Tudo é surreal. Até ontem me sentia um amigo do Papa, o fiel executor do Papa", disse ele.


"Então o Papa me disse que não tinha mais fé em mim porque recebeu um relatório dos magistrados de que cometi um ato de apropriação indébita", acrescentou.


Renúncias deste nível do Vaticano são extremamente raras e a Santa Sé fez poucos esclarecimentos em sua declaração divulgada na noite de quinta-feira.


Quem é o cardeal Becciu?


O cardeal Becciu era um colaborador próximo de Francisco e anteriormente havia ocupado um cargo importante na Secretaria de Estado do Vaticano.


No entanto, seu processo de "fritura" começou depois que foi revelado que ele esteve envolvido na compra de um prédio de luxo em Londres com fundos da Igreja.


Desde então, essa transação tem sido objeto de uma investigação financeira.


Becciu foi durante anos um "diplomata de carreira" do Vaticano: de 2011 a 2018 exerceu o poderoso papel de substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, aproximando-se do Papa, com quem tinha encontros quase que diários.

Foi Francisco quem o nomeou cardeal em 2018, quando Becciu assumiu um novo cargo à frente do departamento que se encarrega de nomear os novos santos e beatos da Igreja.


Outro escândalo no Vaticano


"Eu disse ao Papa: por que você está fazendo isso comigo na frente de todo o mundo?"


As palavras angustiadas são de um dos cardeais mais importantes da Igreja Católica, agora demitido e destituído de seu direito de eleger o próximo papa.


Giovanni Angelo Becciu serviu como subsecretário de Estado, uma função com acesso ilimitado ao Papa Francisco, e mais tarde foi chefe do departamento que escolhe futuros santos.


Mas na noite de quinta-feira, ele foi chamado para uma reunião supostamente tensa com seu chefe.

O cardeal Becciu havia dado o sinal verde para uma controversa compra de um imóvel em Londres por $ 232 milhões com fundos da Igreja, incluindo dinheiro de esmolas.


Outros relatos alegam que ele sustentava um hospital romano em ruínas que empregava sua sobrinha.

"O Santo Padre explicou que dei favores a meus irmãos e seus negócios com dinheiro da Igreja ... mas tenho certeza de que não pratiquei nenhum crime", disse ele ao jornal italiano Domani.


Mas suas palavras não foram suficientes. O que aconteceu foi chamado de "um terremoto no Vaticano".

Sua demissão pode parecer dissimulada, mas é um lembrete de que o escândalo e a corrupção que assolam governos em todo o mundo também atingem os mais altos escalões da Santa Sé.


E o negócio imobiliário em Londres?


Foi durante seu tempo como substituto para assuntos gerais que o religioso esteve envolvido em um negócio de uma propriedade de luxo em uma área rica de Londres.


A compra de um edifício residencial na Sloane Avenue foi feita com dinheiro da Igreja, por meio de fundos offshore e de empresas, segundo documentos oficiais.


Cinco funcionários do Vaticano foram suspensos no ano passado após uma operação e policiais apreenderam documentos e computadores.


Então, em junho, o empresário italiano Gianluigi Torzi foi preso pela polícia do Vaticano sob suspeita de extorsão e peculato.

 
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