Vacina nasal contra Alzheimer será testada em humanos

Uma vacina nasal contra Alzheimer será testada em humanos pela primeira vez, num ensaio clínico no Hospital da Universidade de Harvard, nos EUA.


O Dr. Howard L. Weiner e a codiretora do Ann Romney Center for Neurologic Diseases do Brigham and Women's Hospital em Boston, Massachusetts. Foto: Justin Knight

Os cientistas vão analisar, principalmente, a segurança e a dose ideal do composto. Recentemente, também já começaram os testes da biofarmacêutica sueca Alzinova com outra vacina contra o Alzheimer. O primeiro paciente a receber a dose mora na Finlândia.




Howard L. Weiner, professor de neurologia na Escola de Medicina de Harvard e líder em pesquisas sobre o Alzheimer há quase 20 anos, se prepara para iniciar os testes clínicos da vacina, em formato de spray nasal, desenvolvida pelo seu grupo de estudo.



Prevenção


Com a vacina, os pesquisadores querem prevenir ou retardar a progressão da doença. E para isso o ensaio da Fase 1, em humanos, será conduzido no Brighan and Women’s Hospital, segundo maior hospital universitário da Escola de Medicina de Harvard.


Serão 16 participantes com idades entre 60 e 85 anos. Todos os voluntários estão com Alzheimer em estágios iniciais e não possuem quaisquer outros problemas de saúde relevantes.


Ele vão receber duas doses da vacina com intervalo de uma semana entre elas. Nesse primeiro teste, os pesquisadores devem analisar a segurança do composto e também determinar a dose ideal a ser administrada.


A vacina se baseia no estímulo ao sistema imunológico pra limpar as placas amiloides que são a chave da doença de Alzheimer.




Elas se formam quando pedaços da proteína beta-amiloide se acumulam nas células nervosas, bloqueando as sinapses, região dos impulsos nervosos, o que prejudica as memórias.


Medicamento aprovado


Em junho deste ano, a Food and Drug Administration (FDA), a Anvisa dos EUA, aprovou o primeiro medicamento para o Alzheimer, o aducanumab, mas a decisão veio acompanhada de polêmicas. Ainda não há consenso sobre a eficácia do remédio e mais testes clínicos foram solicitados à fabricante.



Há ainda outros medicamentos à base de anticorpos que podem entrar no mercado no futuro. A farmacêutica Eli Lilly planeja enviar dados de seu remédio, o donanemab, ao FDA até o final do ano. As empresas Biogen e Eisai também estão nessa corrida com seu medicamento, o lecanemab.

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