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Vinicius Junior: “O drible é mais fácil do que o gol”

Atualizado: Abr 5

Antes do jogo de volta das oitavas da Champions, nesta terça, e após chegar a 100 partidas com o Real Madrid, o brasileiro lembra sua grave lesão de dois anos atrás e como influenciou em seus dribles


Chega novamente um jogo de volta das oitavas de final da Champions League para o Real Madrid, na terça-feira contra o Atalanta no estádio Di Stéfano (às 17h de Brasília), e com ele voltam os ecos das duas últimas temporadas europeias evaporadas nessa rodada, ainda que agora o Real tenha vantagem com a vitória de 1x0 na ida. Volta a recordação dessas decepções, e no caso de Vinicius Junior (São Gonçalo, 20 anos) o da ruptura dos ligamentos do tornozelo direito que sofreu na noite de março de 2019 em que o Real Madrid foi eliminado pelo Ajax no Bernabéu, e que freou o brasileiro em um momento fulgurante de exuberância. A conversa ocorreu por videoconferência.


Pergunta. Voltou a ver as imagens da lesão?


Resposta. Não, desde minha lesão me esqueci do lance. Não vejo as fotos, porque é um dia muito triste para mim. Estava bem, havia jogado bem na partida de ida. Era um dia que todos os madridistas sabiam que podíamos ganhar, e foi muito difícil para todos.


P. Como lembra da saída de campo chorando?


R. Frustração por não poder estar jogando, por não poder ajudar. Todo o trabalho que havia feito para esse jogo... Sair aos 40 minutos é um pouco difícil. E sabia que estava em um momento importante para mim, e para o clube. Que estava fazendo as coisas certas, que estava fazendo as coisas muito bem. Todos os jogadores me ajudavam passando a bola para que fizesse algo diferente... Foi um pouco complicado.


P. Revendo o jogo, parece que você não se lesiona quando cai ao lado do gol, e sim antes.


R. Eu me machuquei em uma jogada anterior. E pensava: “Não é possível que vou precisar sair dessa partida. Vou continuar, vou continuar, vou continuar”. E recebi uma bola. E precisei correr assim por 50 metros, e acho que nesses 50 metros a lesão piorou. Mas queria tentar, dar tudo.


P. Já sentia dor nessa corrida?


R. Sim, bastante. Fui correndo nas pontas dos pés, porque sentia muita dor. Consegui chegar ao gol, e não terminei bem a jogada porque estava lesionado. Não podia.


P. Como foi voltar? Havia outro técnico, Zidane, ficou fora da Copa América...


R. Foi complicado. Sabia que podia ir à Copa América... Eu quero jogar sempre, quero estar em todos os jogos, mas as coisas acontecem no tempo certo, e este tempo não era o meu... Quando você se machuca, pensa bastante: faz tudo bem, e por causa de uma jogada precisa ficar dois ou três meses fora da temporada. E muda tudo.


P. Ficou triste, aborrecido?


R. Eu nunca fico triste. Estou com meus amigos em casa, e jogando no melhor clube do mundo com 20 anos. Então, eu nunca estou triste.

Às vezes, frustrado, às vezes um pouco pensativo, mas nunca triste.


P. Quando esqueceu totalmente a lesão e voltou a conseguir fazer tudo da mesma forma que antes?


R. Seis ou sete meses depois. Fiquei dois ou três meses sem jogar, e quando você volta a calçar as chuteiras pensa muito onde pode colocar o pé, onde não pode. Acho que passei seis meses duvidando sempre. E quando fazia frio, sentia dor sem fazer nada. Sentia dor só de calçar as chuteiras.


P. Atrapalhou seu drible?


R. No um contra um o zagueiro sempre procura o contato, e então é preciso tomar mais cuidado. No começo, claro. Agora já não penso, e também não penso em me lesionar novamente.


P. Uma das imagens mais chamativas após sua volta foi quando marcou um gol no Osasuna e caiu de joelhos chorando. Como lembra desse momento?


R. Depois de tanto tempo, poder marcar, e no Bernabéu, onde a torcida gosta tanto de mim... Estava de volta, não estava tão bem como antes. A exigência no Real é muito grande, a pressão, tudo... Quando fiz esse gol senti um alívio...


P. Outro dia você lembrava com Pelé e Neymar que Pelé dizia que às vezes ganhar, mais do que uma alegria, era um alívio.


R. Pela pressão que temos. E aqui, no maior time do mundo, é sempre pior. Não importa se é Sergio [Ramos], que está há mais tempo, ou Mendy, Rodrygo e eu, que estamos há pouco tempo aqui e somos jovens. No Real não tem disso. Jogaram cinco Champions e ganharam quatro. E eu cheguei justamente neste momento, depois de Cristiano, o maior nome do clube, que ganhou tudo... Um pouco complicado. Mas eu suporto a pressão muito bem.


P. Um gol é mais alegria ou alívio?


R. Mais alegria. Sempre. O gol é fruto de todo o trabalho que fazemos. O gol nos dá a tranquilidade para jogar mais vezes, para estar melhor, para ter mais confiança. O gol é o momento mais bonito do futebol.


P. E o drible? Como é essa sensação?


R. Eu gosto, mas o drible para mim é mais fácil do que o gol. Controlo melhor as coisas. Sei que sou muito bom no um contra um, e que o defensor sempre pensa muito quando joga contra mim.


P. Você cresceu em São Gonçalo, uma cidade pobre do Rio e bem diferente de Madri. Ainda tem as características do futebol de rua?


R. Claro, todos os dribles que faço hoje no Real Madrid fazia antes na rua. E sem medo. Desde São Gonçalo, nunca tive medo de fazer as coisas, nunca tive medo de encarar um adversário, e isso sempre vai ser assim. Não importa se jogo no Real Madrid ou no Flamengo, sempre vou fazer as mesmas coisas.


P. Alguma vez ficou nervoso?


R. O dia em que fiquei mais nervoso em minha vida foi o da minha estreia no Flamengo. Treinei duas vezes e fui para o jogo. Sou torcedor do Flamengo, e era um sonho para mim, e para minha família. Mas não sabia que seria tão cedo. E chegar ao Maracanã, onde costumava estar na arquibancada, e ouvir 40.000 pessoas cantando meu nome para que entrasse no jogo, não é fácil. Foi o dia mais importante e mais nervoso de minha vida. Até depois da partida não acreditava que havia jogado.


P. O que imagina como melhor momento dentro de campo: ter o caminho livre para correr, fazer um gol de bicicleta... Qual é seu momento sonhado?


R. O momento sonhado seria algo como o que fiz contra o Barcelona, em que driblei três jogadores, os deixei no chão, mesmo não conseguindo fazer o gol [Busquets, Semedo e Piqué, em fevereiro de 2019, 0x3 na Copa do Rei no Bernabéu]. Esse seria um dos gols mais importantes para mim, dos mais bonitos também. Continuo treinando para chegar outra vez e fazê-lo. E que fique marcado na história. Contra o Barcelona. E fazer isso na Champions. Sem dúvida é onde quero fazê-lo.


P. E qual escolhe dos que já conseguiu?


R. Ganhar o Espanhol é o momento mais importante para mim, o troféu mais importante até agora, e jogar 100 partidas com esta equipe, porque somente três lendas jogaram 100 partidas com esta idade, e todos são da Espanha [Raúl, Camacho e Casillas]. Eu saí do Brasil com 18 anos, e já estou aqui com 100 jogos com 20. É muito importante para mim, para tudo o que o Real planejou para mim. Acho que as coisas estão indo bem, como todos pensaram. Eu quero continuar aqui, as pessoas gostam muito de mim.


P. Nesse dia você escreveu uma carta aos torcedores, e citou uma frase de Juanito: “Sou madridista até a medula”. Por que Juanito?


R. Sempre pesquiso na internet sobre a história do clube e o que fizeram antes de que eu chegasse aqui, e Juanito sem dúvida é um dos madridistas mais apaixonados pelo clube, e sempre fez de tudo para levar o Real ao seu lugar.


P. Como é jogar com Benzema, que se mostrou tão exigente com você?


R. Karim é incrível. Sou seu fã desde quando jogava no Brasil e via seus jogos. Jogar com Karim é fácil. É o melhor centroavante do momento. Jogar com Karim é bom para mim, é ter um ídolo sempre comigo. Sempre me fala as coisas que preciso fazer, e ele também gosta de jogar comigo. Eu o ouço sempre, porque certamente o faz para que eu melhore e dê a ele mais assistências, e ele dê mais assistências a mim.

 
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