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Abaixo o racismo!

Rodrigo Craveiro

Há cerca de duas semanas, uma colega foi a uma festa aqui em Brasília e, na fila, os seguranças revistaram (?) o cabelo dela. Em Taguatinga, uma mulher vomitou ofensas raciais contra o dono de um quiosque de açaí. O empresário Paulo Vitor Figueiredo foi chamado de "macaco", "preto" e "idiota" pela cliente e filmou a agressão. O advogado da criminosa alega que a mulher sofre de "esquizofrenia" e não havia tomado os remédios. No último sábado, durante a partida entre Internacional e Corinthians, o volante do colorado Edenilson teria escutado do lateral corintiano Rafael Ramos a seguinte frase: "F..., macaco". O jogo foi interrompido, o árbitro relatou o incidente na simula e Edenilson fez questão de prestar queixa contra o atleta adversário.


"Uau, você é tipo um cara branco. Você é um cara branco!", afirmou uma passageira ao embarcar no carro em corrida por aplicativo. Aconteceu na última sexta-feira, em Catasauqua, no estado norte-americano da Pensilvânia. O motorista do aplicativo convidou a mulher a descer do carro. Horas depois, às 14h30 de sábado e a 528km dali, Payton Gendron, um jovem branco de 18 anos, invadiu um supermercado na cidade de Buffalo (Nova York) armado com um fuzil AR-15. Matou 10 pessoas e feriu três. Das 13 vítimas, 11 eram negras. Payton filmou todo o massacre e transmitiu as imagens, ao vivo, pela plataforma Twitch. Antes, escreveu um manifesto de 180 páginas no qual advertia sobre a Grande Teoria da Substituição — uma tese conspiratória segundo a qual os brancos estariam perdendo espaço para negros e latinos.


Os cinco casos citados indicam a podridão instalada em parte da sociedade, que acredita numa pretensa superioridade branca e coaduna com a mesma ideologia apregoada pelos nazistas e pelos encapuzados da Ku Klux Klan. No Brasil, o preconceito racial é disseminado até mesmo pela mais alta autoridade, ao dizer que a unidade de peso usada para o negro é o arroba — aquela utilizada para o gado. O racismo também aparece no olhar torto, no tratamento diferente, na condenação às cotas raciais, na imposição do uso exclusivo do elevador de serviço a domésticas, na relutância de contratação pelas empresas, no famoso "baculejo" da polícia.


Racismo não é questão de falta de educação, mas de ausência de índole e caráter. É preciso abandonar a mentalidade dos senhores de engenho. A cor da pele não é, e não deveria ser, fator para determinar uma superioridade que somente existe na cabeça dos racistas. Intolerância não deveria ter lugar em local nenhum do mundo. A lei precisa ser severa com racistas e puni-los de forma exemplar. Apesar do péssimo exemplo que vem de cima, cabe à parte tolerante da sociedade denunciar a discriminação e o preconceito. Não existe espaço no mundo para a autoproclamada supremacia branca nem para o ódio. Racistas não passarão!

Fonte: CB