Buscar

Cachaça: Um gole de história.


A cachaça é uma bebida de grande importância cultural, social e econômica para o Brasil, e está associada diretamente ao início da colonização do País por Portugal e à atividade açucareira, baseada na mesma

matéria-prima, cana-de-açucar.


As palavras cachaça, pinga e aguardente sempre foram polêmicas.


Conta uma das histórias (que eu tenho dúvidas) que, certa vez, os escravos misturaram um melaço velho e fermentado com um melaço fabricado no dia seguinte. O álcool presente no melaço velho evaporou e formou gotículas no teto do engenho. Conforme o líquido pingava em suas cabeças e escorria em direção da boca, era consumido e assim foi dado o nome de “pinga”. A cachaça que pingava do teto atingia em cheio os ferimentos que os escravos tinham nas costas, por conta dos castigos que sofriam. A ardência causada pelo contato dos ferimentos com o líquido teria dado o nome de “aguardente”. Essa é uma das explicações controversas para o descobrimento dessa bebida tipicamente brasileira.


Aqui algumas versões dadas por pesquisadores:


– CACHAZA do Castelhano, vinho que era feito de borra de uva;

– Aguardente, que era usada para amaciar a carne de porco (CACHAÇO);

– Garapa azeda, tomada pelos escravos e apelidada de CAGAÇA.


Os primeiros relatos sobre a fermentação vem dos egípcios, que curavam várias moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.


Dos gregos registram-se o processo de obtenção da ácqua ardens. A Água que pegava fogo – água ardente (Al Kuhu).


A água ardente, vai aos Alquimistas que imputam a ela propriedades místico-medicinais. Se transforma em água da vida. A Eau de Vie e é receitada como elixir da longevidade.


A aguardente então segue para a Europa e depois para o Oriente Médio, pela força da expansão do Império Romano.


Os árabes desenvolvem os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje.


Em 1502, as primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil e nas primeiras décadas de presença portuguesa, o número de engenhos no Brasil se multiplicou rapidamente. O sucesso foi tanto que, até 1650, nosso país era o maior produtor de açúcar do mundo.


A cachaça acompanhou o ciclo do açúcar.


A primeira cachaça no Brasil foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, estado de São Paulo. Depois dos séculos XVI e XVII, em que houve significativa multiplicação dos alambiques nos engenhos de São Paulo e Pernambuco, a cachaça se espalhou pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais devido à descoberta do ouro e pedras preciosas.


O Brasil chegou a ter sua venda proibida pela Coroa Portuguesa em 1649, em função da queda nas vendas do vinho português (Revolta da Cachaça, episódio ocorrido entre novembro de 1660 e abril de 1661 no Rio de Janeiro, motivado pelo aumento de impostos excessivos cobrados aos fabricantes de aguardente. Também chamada de Revolta do Barbalho ou Bernarda).


A cachaça também despertava receios nesse período pelo medo de que ela estimulasse a rebeldia dos negros que trabalhavam na produção do açúcar da cana de açúcar. O método já conhecido, que consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida, deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas.


Só que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava cagaça e era jogado fora, pois não prestava para adoçar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.


Os senhores de engenho por vezes estimulavam aos seus escravos à prática, mas a corte portuguesa, vendo nisto uma forma de rebelião, proibia que a referida bebida fosse dada aos negros, temendo um levante.


A cachaça sempre viveu na clandestinidade, sendo consumida principalmente por pessoas de baixa renda e, assim, sua imagem ficou associada a produto de má qualidade.


Ela também foi usada como personificação de nacionalidade quando o Brasil Colônia começou a brigar para ser livre de Portugal. Como marca dessa luta pela independência do País, a cachaça era servida nas reuniões conspiratórias dos Inconfidentes.


A Cachaça virou símbolo da resistência ao domínio português. Prova do último pedido de Tiradentes:  “Molhem a minha goela com cachaça da terra”.


Já durante o século XIX, com o surgimento da economia do Café e de uma sociedade elitista que começou a rejeitar seus hábitos rurais e a valorizar produtos e hábitos europeus, a cachaça acabou ganhando um status de produto popular destinado a pessoas pobres, sem cultura. Porém, o produto continuou sendo altamente consumido em todo o Brasil.


A partir das décadas de 80 e 90, iniciou-se uma série de iniciativas buscando valorizar a cachaça, hoje considerada um produto tipicamente brasileiro. Com o tempo esta bebida foi aperfeiçoada, passando a ser filtrada e depois destilada, sendo muito apreciada em épocas de frio. O processo de fermentação com fubá de milho remonta aos primórdios do nascimento da cachaça e permanece até hoje com a maior parte dos produtores artesanais.


Existem atualmente pesquisas de fermentação com diversos produtos denominados enzimas que, aos poucos, estão substituindo o processo antigo.


Com a melhoria nos processos de fabricação a cachaça foi adquirindo ainda mais qualidade e hoje é apreciada não só aqui no Brasil mas no mundo todo, sendo considerada uma bebida amplamente democrática que agrada paladares de todas as classes sociais.


A Cachaça teve influência na vida artística nacional, com a cultura de boteco, o samba e a boemia. Passou a ser servida e apreciada como bebida brasileira oficial nas embaixadas e consulados, eventos empresariais e voos internacionais.


"A cachaça é o terceiro destilado mais consumido no mundo, ficando atrás apenas do Soju (destilado de arroz) e da vodka."


Fontes:

brasilescola.uol.com.br/curiosidades/a-origem-cachaca

www.mapadacachaca.com.br/artigos/a-falsa-historia-sobre-a-origem-da-cachaca

www.gov.br/fundaj/pt-brindex.php/area-de-imprensa/3082-conheca-a-verdadeira-origem-da-cachaca

36 visualizações
 

Mais Notícias