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Preso por engano: Justiça manda soltar cientista de dados confundido com miliciano

Raoni Lázaro Barbosa foi confundido em investigação com miliciano de Duque de Caxias. Ele está preso há 22 dias


Após ficar preso por mais de 20 dias ao ser confundido com um miliciano de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o cientista de dados Raoni Lázaro Brabosa, teve sua soltura determinada pela Justiça.


A família e a defesa de Raoni alegam que houve um equívoco de identificação por parte da polícia, que utilizou fotos para achar aquele que eles jugavam ser o criminoso.


Formado pela PUC-Rio, Raoni é um jovem cientista de dados com especialização no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Ele é casado há quatro anos e há quase um ano começou a trabalhar em uma multinacional americana.


No dia 17 de agosto, o rapaz foi preso em uma operação da Polícia Civil, deflagrada pela delegada assistente Thaianne Barbosa, da Draco. Ele foi acusado de fazer parte de uma milícia em Duque de Caxias – o que, segundo a defesa do homem, foi um erro da polícia.


No inquérito, a polícia acusa Raoni de ser responsável pela cobrança de taxas de moradores e de comerciantes de Caxias em um grupo de milicianos que incluía policiais militares.


A defesa afirma que Raoni e a esposa moram em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e nunca viveram em Duque de Caxias. O reconhecimento de Raoni foi feito por foto, uma prática que não é prevista em lei brasileira.


A imagem usada na investigação foi a de um homem identificado como Raony, com “y”, também conhecido como Gago, e apontado como integrante da milícia de Duque de Caxias.

A defesa e a família apontam que a única semelhança entre os dois é a cor da pele. Dados do Colégio Nacional de defensores públicos-gerais, de 2012 a 2020 90 pessoas foram presas injustamente baseadas no reconhecimento por foto.


A gente não sabe como é que vai ser daqui pra frente. não sabe como é que vai ser com relação ao emprego dele, se ele vai perder emprego, se ele vai deixar de poder viajar“, afirmou Érica, esposa de Raoni.

Posicionamento da polícia

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas, a Draco, informou que as testemunhas desfizeram o reconhecimento e que a delegada responsável pelo caso já pediu à Justiça a revogação da prisão de Raoni Lázaro Barbosa.


A Secretaria de Polícia Civil afirmou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso, porque a orientação da atual gestão da pasta é para que o reconhecimento fotográfico seja um dos elementos do inquérito policial, e não o único fator determinante para pedir a prisão de suspeitos.

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