BRASIL: Diploma não é vacina contra a ignorância política
O Brasil vive uma contradição impressionante: nunca tivemos tanto acesso à informação e tanta gente acreditando em absurdos políticos. Nas eleições, a ignorância ganha voz, seguidores e, muitas vezes, até diploma universitário.
O cidadão não conhece a Constituição, não sabe como uma lei é aprovada, mas vira especialista em política depois de assistir a um vídeo de trinta segundos. E o mais curioso: defende a mentira com a convicção de quem escreveu uma tese de doutorado.
Há universitários e profissionais graduados que exigem referências científicas no trabalho, mas acreditam em qualquer bobagem recebida pelo WhatsApp. Para concluir a faculdade, precisam pesquisar durante anos. Para acreditar numa acusação política, basta uma mensagem encaminhada pelo grupo da família.
Não sabem diferenciar projeto de lei de lei aprovada, mas discursam como ministros do Supremo Tribunal Federal. Quando alguém pede provas, a resposta é brilhante: "Está na internet!" Como se cada postagem tivesse reconhecimento de firma em cartório.
O problema não é simplesmente desconhecer política. É transformar a ignorância em arrogância. Se a notícia favorece o candidato preferido, é verdade absoluta. Se contraria, vira perseguição ou conspiração.
A inteligência artificial piorou o espetáculo, produzindo vídeos e falas que nunca existiram. Mas o mais preocupante não é cair numa mentira: é continuar defendendo-a depois de desmentida.
Enquanto saúde, educação e segurança pública exigem debates sérios, parte do eleitorado prefere transformar eleições em campeonato de torcida organizada, onde pensar virou quase uma infração.
É claro que diploma não garante conhecimento político, assim como pouca escolaridade não significa falta de inteligência. Há pessoas humildes que questionam muito mais do que certos doutores apaixonados pelas próprias certezas.
A democracia precisa de cidadãos críticos, não de papagaios digitais. Afinal, opinião todo mundo tem. Conhecimento exige pesquisa, humildade e disposição para reconhecer erros.
O verdadeiro analfabetismo político não está em desconhecer uma lei, mas em preferir acreditar numa mentira porque a verdade incomoda.

E fica a pergunta: de que adianta passar anos numa universidade se, na hora de votar, a capacidade de pensar tira férias?




































Comentários