QUANDO A ESCOLA LEMBRA QUE PROFESSOR TAMBÉM É GENTE
No fim do ano letivo, sobra cobrança, falta tempo e o professor continua sendo tratado como se desse conta de tudo.

Por Carlos de Mello Marques
Prova, recuperação, relatório, reunião, fechamento de notas, cobrança de famílias, alunos com dificuldades e pressão por resultados. No meio disso tudo está o professor, de quem ainda se espera paciência, criatividade, equilíbrio emocional e produtividade.
Na rede pública, a situação é ainda mais dura. Professores estão adoecendo física e emocionalmente. Em escolas que atendem comunidades marcadas por violência, pobreza, insegurança alimentar e conflitos familiares, o educador acaba recebendo dentro da sala de aula problemas que nasceram muito longe dela.
Não é o aluno da comunidade que é o problema. O problema é imaginar que o professor pode ensinar, acolher, mediar conflitos, administrar traumas e ainda entregar resultados impecáveis. Isso não é apoio. É transferência de responsabilidade.
É nesse cenário que surge a proposta de uma Rede de Apoio Pedagógico, com acompanhamento, escuta, acolhimento e troca de experiências entre professores.
Mas é preciso cuidado para que a solução não vire mais uma tarefa.
Professor sobrecarregado não precisa de mais uma reunião para discutir a própria sobrecarga.
Para entender melhor o problema, a revista consultou a Hera Eduty, fundada por Michelle Vergueiro, que atua com desenvolvimento humano, treinamentos e saúde mental corporativa. Instagram: @heraeduty
Entre as medidas possíveis estão o mapeamento de riscos psicossociais, a identificação das causas do desgaste e a criação de espaços reais de escuta.
Porque nem sempre falta resiliência.
Às vezes sobra trabalho, falta estrutura e sobra discurso.
Não adianta oferecer palestra sobre bem-estar e, no dia seguinte, cobrar relatório fora do horário.
Também não adianta falar em acolhimento se, quando o professor aponta o problema, a resposta é explicar por que nada pode mudar.
Uma Rede de Apoio só fará sentido se mexer na rotina: rever prioridades, cortar processos inúteis, melhorar a comunicação e oferecer condições reais de trabalho.
Caso contrário, será apenas mais um projeto bonito no papel.
E professor já tem papel demais.




































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