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Justiça em estado de negação: quando um caso brutal perde para o calendário e a conveniência
Se alguém ainda tinha dúvida de que o Brasil normalizou o absurdo, o caso do menino Henry Borel trata de eliminar qualquer resto de ilusão. A sequência de decisões recentes — soltura da mãe, Monique Medeiros, e o adiamento do julgamento — não apenas revolta: escancara um sistema que parece mais preocupado em cumprir formalidades frias do que em responder à gravidade gritante dos fatos. Sim, tudo “dentro da lei”. A prisão preventiva foi revista, os requisitos técnicos analisad
há 6 dias


A Desigualdade que Cala Vozes: Quando o Dinheiro Define Quem “Tem Razão”
Quando o acesso ao poder dispensa qualificação e o dinheiro dita autoridade, o resultado é uma sociedade menos justa e um debate cada vez mais raso. Por Carlos de Mello Marques No Brasil, uma parcela barulhenta da elite econômica insiste em vender a própria conta bancária como se fosse certificado de genialidade. É a crença arrogante de que dinheiro não apenas compra bens, mas também compra razão, lucidez e superioridade intelectual. Não compra. Nunca comprou. O que se vê, na
21 de mar.


“A política brasileira não é bagunça… é projeto.”
Você ainda acha que é incompetência? Ou já entendeu o jogo? Se ainda existe alguém no Brasil que acredita que a política nacional é apenas um amontoado de erros, trapalhadas e incompetência, talvez esteja na hora de rever essa leitura — ou admitir que está confortável demais na ingenuidade. A narrativa da “ bagunça ” é conveniente. Ela anestesia. Ela simplifica. Ela tira o peso da responsabilidade e transforma decisões calculadas em acidentes de percurso. Mas a realidade é m
18 de mar.


Justiça em Modo Defesa: Quando o Supremo Fala Sozinho e o País Escuta Desconfiado
Por Carlos de Mello Marques Ministro Edson Fachin, presidente do STF, faz discurso em defesa da autocontenção do Poder Judiciário Em tempos de credibilidade em queda livre, o silêncio institucional virou artigo de luxo — e quando ele é quebrado, não necessariamente traz alívio. Foi o que se viu com a recente manifestação do ministro Edson Fachin, que surgiu em cena não apenas como magistrado, mas como uma espécie de porta-voz informal de um tribunal que, cada vez mais, parece
17 de mar.


“Instagram, TikTok & Cia.: a farmácia clandestina onde o ‘especialista’ é quem comenta primeiro”
POR CARLOS DE MELLO MARQUES No ritmo frenético das redes sociais, onde dancinhas viram tendências globais em horas, uma outra febre — bem menos divertida — se espalha sem controle: a “medicina de comentários”. Basta abrir qualquer vídeo ou post sobre saúde para encontrar uma verdadeira farmácia popular improvisada nos comentários. Sem diploma, sem responsabilidade e, muitas vezes, sem noção. É ali que florescem especialistas instantâneos, formados pela Universidade do “vi no
17 de mar.


QUALIDADE DE VIDA: REALIDADE OU PROPAGANDA?
Entre promessas de marketing, discursos políticos e a dura rotina do brasileiro, o conceito de “qualidade de vida” parece cada vez mais distante da realidade. Por Carlos de Mello Marques Nos últimos anos, poucas expressões foram tão repetidas quanto “qualidade de vida”. Ela aparece em discursos políticos, propagandas imobiliárias, planos de saúde, academias, aplicativos de produtividade e até em embalagens de alimentos. A promessa é sempre a mesma: viver melhor. Mas na prátic
13 de mar.


A crise da Unimed e o abandono silencioso de milhões de pacientes
Por Carlos Marques Durante décadas, venderam aos brasileiros uma promessa simples: pague seu plano de saúde todos os meses e, quando precisar, haverá atendimento. A crise envolvendo a Unimed mostra que essa promessa, em muitos casos, não passa de uma ilusão cara — e perigosa. Milhões de brasileiros pagam mensalidades cada vez mais altas acreditando estar protegidos do colapso da saúde pública. No entanto, nos bastidores, hospitais acumulam faturas não pagas, clínicas rompem
10 de mar.


“Tio Sam, vem arrumar o Brasil”: a curiosa ideia de terceirizar a própria soberania
Sei que este é um assunto que provavelmente não vai agradar a pessoas muito presas a ideologias. Mas é preciso separar as coisas: política não pode ser tratada como torcida de futebol. Em disputas esportivas, alguém perde e alguém ganha — e no domingo seguinte começa tudo de novo. Já em assuntos de governo e soberania nacional, quando as coisas dão errado, as consequências atingem todos os lados , independentemente de quem estava “torcendo” por qual time político. De tempos e
9 de mar.


Entre diplomas e ilusões: por que parte da elite instruída insiste em defender governos acusados de corrupção e populismo
Existe uma crença comum de que educação formal elevada seria um antídoto contra escolhas políticas questionáveis. A lógica parece simples: quanto maior o grau de instrução, maior seria a capacidade de análise crítica. No entanto, a realidade política contemporânea mostra algo bem diferente. Em diversos países — inclusive no Brasil — setores altamente escolarizados seguem apoiando governos acusados por críticos de corrupção, populismo e gestão econômica temerária. A pergunta q
7 de mar.


A República dos Intocáveis: quando o Supremo vira poder absoluto
Existe um momento em que uma democracia deixa de ser apenas um sistema político e passa a ser um teste de sanidade coletiva. O Brasil parece estar atravessando exatamente esse momento. O país assiste, quase anestesiado, a um cenário em que ministros da mais alta Corte da República aparecem em conversas de investigados, em mesas de eventos patrocinados por grandes interesses financeiros e em narrativas que misturam poder econômico, política e Justiça. No centro da tempestade e
6 de mar.


O maravilhoso mundo das mulheres: a engrenagem invisível que move tudo
Existe uma fantasia recorrente em certos discursos: a ideia de que o mundo funciona por causa de grandes sistemas, mercados, tecnologia ou decisões estratégicas tomadas em salas de reunião. Bonito na teoria. Na prática, basta olhar com um pouco de honestidade para perceber um detalhe incômodo: sem mulheres, grande parte dessa engrenagem simplesmente pararia. Comecemos pela economia. O consumo — esse motor sagrado do capitalismo — depende em larga escala das decisões de compra
5 de mar.


PEC da Segurança: Quando Falta Política Pública, Sobra Cadeia e Discurso de Super-Herói
A PEC da segurança reaparece no Congresso como mais um capítulo da tradição brasileira de resolver tragédias sociais com canetadas constitucionais. Vendida como resposta firme à violência, a proposta aposta na centralização e no endurecimento do discurso — porque, ao que parece, o problema do Brasil nunca foi falta de lei, foi falta de lei “mais dura”. No mesmo pacote, volta a ideia de reduzir a maioridade penal, hoje fixada aos 18 anos pela Constituição Federal do Brasil de
4 de mar.


Calamidade pública × responsabilidade política: um divórcio conveniente
Quando um governo decreta calamidade pública, espera-se liderança, ação imediata e transparência. O que frequentemente se vê, porém, é a transferência de culpa. E, nesse roteiro, prefeitos e governadores raramente assumem o papel principal — embora quase sempre estejam no centro das decisões que levaram ao desastre. Chove demais? “Evento atípico.”Faz calor demais? “Fenômeno imprevisível.”Encosta desliza? “Força da natureza.”Sistema colapsa? “Demanda acima da média.” Mas a nat
27 de fev.


Quando o “protetor” vira algoz: a masculinidade que fracassa e tenta culpar a mulher pelos próprios crimes
POR CARLOS DE MELLO MARQUES O crime ocorrido em Itumbiara, no sul de Goiás pelo secretário de Governo da Prefeitura, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, não é apenas uma tragédia familiar. É o retrato cru de uma masculinidade doente que ainda insiste em se vender como força, mas que na prática revela fragilidade, ego ferido e incapacidade de lidar com frustração. Tragédia é acidente. O que se viu foi escolha. Foi ação. Foi a travessia consciente do limite mais básico da
19 de fev.


Entre a impunidade e o discurso fácil: a sociedade que terceiriza a culpa
POR CARLOS DE MELLO MARQUES O Brasil vive um dilema que finge ser complexo, mas é apenas covarde: endurecer as leis para adolescentes que tiram a vida de outras pessoas ou manter tudo como está, embalado por discursos mornos e estatísticas seletivas. Enquanto o debate se arrasta, corpos se acumulam e a responsabilidade some — como se a morte tivesse sido um acidente administrativo. A retórica oficial insiste em tratar o homicídio cometido por adolescentes como um “fracasso co
17 de fev.


A Imprensa de Lado: Quando a Notícia Abdica da Verdade e Abraça a Torcida
Por Carlos de Mello Marques Tem algo muito irritante — e até desanimador — em abrir um site de notícias e já saber, nas primeiras linhas, qual é o “lado” do texto. Antes mesmo dos fatos aparecerem, você sente a intenção. Não é informação: é torcida organizada. Hoje, muita gente lê jornal já com o pé atrás. E não é por acaso. De um lado, tem veículo que parece panfleto ideológico. Do outro, tem portal que mais parece gabinete de campanha. A matéria já nasce com opinião pronta.
16 de fev.


Até o além entrou na planilha: “Com aval do Supremo Tribunal Federal, Eduardo Paes transformou jazigos ‘perpétuos’ em carnês anuais no Rio de Janeiro”
A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de passar a cobrar IPTU sobre jazigos perpétuos conseguiu algo raro: tirar o sossego até de quem já estava descansando em paz. Durante décadas, a ideia de “jazigo perpétuo” significava exatamente isso — perpétuo. Compra feita, direito garantido, descanso eterno assegurado. Mas, sob a gestão do prefeito Eduardo Paes, o conceito ganhou uma releitura criativa: perpétuo, sim — desde que com boleto atualizado. A pergunta que ecoa nos corre
14 de fev.


Rio entre o palanque e o Poder Paralelo
Os devaneios da política carioca — com nome e sobrenome POR CARLOS DE MELLO MARQUES No papel, o Rio é vitrine turística. Na prática, tornou-se um campo minado administrativo onde discursos grandiosos convivem com resultados modestos. A política carioca parece oscilar entre o improviso crônico e a retórica épica — enquanto o crime organizado consolida poder territorial com disciplina empresarial. O atual governador, Cláudio Castro , tornou-se personagem central desse enredo. S
13 de fev.


A farra dos penduricalhos: como o teto virou enfeite no contracheque do alto funcionalismo
Enquanto o país aperta os cintos, parte do serviço público descobre novas formas de esticar o próprio salário — tudo “dentro da lei” O Brasil é um país onde o teto constitucional existe. Está na Constituição, é repetido em discursos oficiais e aparece como símbolo de moralidade administrativa. Mas, na prática, virou peça de ficção. Para uma parcela do alto funcionalismo, o teto é apenas o salário-base — o resto vem por fora, sob a forma elegante dos chamados “penduricalhos”.
11 de fev.


Da Luta por Existir ao Direito de Mandar
Como a pauta homossexual saiu das ruas e entrou no altar do intocável POR CARLOS DE MELLO MARQUES A geração dos anos 80 não teve militância confortável. Teve medo, teve pancada, teve silêncio forçado e teve vergonha imposta. Para o homossexual daquela época, não existia manual de proteção institucional nem plateia solidária. Existir era afronta. Amar era risco. Falar era luxo. Não havia glamour, só sobrevivência. E talvez por isso mesmo aquela geração soubesse exatamente o va
10 de fev.
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