Rio entre o palanque e o Poder Paralelo
- Revista Real Notícias
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Os devaneios da política carioca — com nome e sobrenome
POR CARLOS DE MELLO MARQUES

No papel, o Rio é vitrine turística. Na prática, tornou-se um campo minado administrativo onde discursos grandiosos convivem com resultados modestos. A política carioca parece oscilar entre o improviso crônico e a retórica épica — enquanto o crime organizado consolida poder territorial com disciplina empresarial.
O atual governador, Cláudio Castro, tornou-se personagem central desse enredo. Seus discursos frequentemente ressaltam operações policiais robustas, investimentos em segurança e promessas de retomada do controle territorial. Mas a pergunta que ecoa nas ruas é simples: controle para quem — e até quando?
O problema do Rio não é apenas policial. É estrutural. Facções e milícias ocupam espaços onde o Estado falha de forma recorrente. Não se trata só de confrontos armados, mas de domínio econômico e social. Transporte alternativo, venda de serviços clandestinos, influência política indireta — o poder paralelo não é clandestino; é visível.
Enquanto isso, a política institucional frequentemente parece desconectada da complexidade do cenário. Secretarias trocam comandos, planos são relançados com novos nomes e coletivas reforçam a narrativa de que “agora vai”. O “agora”, no entanto, costuma durar até a próxima crise.

No Legislativo estadual e municipal, não faltam discursos inflamados. Falta consistência técnica. Muitos parlamentares atuam como comentaristas de rede social com mandato. A segurança pública vira slogan; a governança, figurino.
O governo estadual aposta na força ostensiva como demonstração de autoridade. Mas operações sem continuidade estratégica e políticas sociais integradas tendem a produzir manchetes intensas — e efeitos passageiros. A cidade continua partida entre áreas onde o Estado é presença constante e outras onde é visita eventual.
Cláudio Castro, como chefe do Executivo estadual, carrega o ônus da liderança. Não basta anunciar números de apreensões ou reforço de efetivo. Governar o Rio exige coordenação interinstitucional, inteligência permanente e uma ruptura real com práticas políticas que priorizam sobrevivência eleitoral em vez de transformação estrutural.
O que se vê, muitas vezes, é uma administração reagindo a crises em vez de antecipá-las. E numa cidade onde o crime organizado age com planejamento e hierarquia, improviso não é estratégia — é convite à repetição do caos.
O Rio segue entre o cartão-postal e o território controlado por regras paralelas. Entre a coletiva bem iluminada e a viela esquecida. Entre a promessa solene e a realidade cotidiana.
A questão não é apenas quem governa. É quem realmente exerce poder — e quem está preparado para enfrentá-lo sem devaneios.































