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Os perigos dos suplementos alimentares: a indústria da pílula milagrosa



Eles prometem músculos rápidos, emagrecimento sem esforço, energia infinita e até “equilíbrio hormonal”. Vendidos em potes coloridos, com rótulos em inglês e fotos de corpos esculturais, os suplementos alimentares se tornaram o novo altar da fé moderna. A ciência? Um detalhe inconveniente. A vigilância sanitária? Um obstáculo burocrático. O consumidor? A vítima preferencial.


No Brasil, o mercado de suplementos cresce como fermento em whey protein, impulsionado por influenciadores fitness que confundem seguidores com cobaias. Muitos desses produtos chegam às prateleiras com estudos frágeis, doses duvidosas e promessas que beiram o charlatanismo. O marketing grita resultados rápidos; o organismo, silenciosamente, paga a conta.


Não são raros os casos de suplementos contaminados com substâncias proibidas, hormônios ocultos ou estimulantes que sobrecarregam fígado, rins e coração. Mas isso raramente aparece nos stories patrocinados. Afinal, não rende curtidas admitir que aquela “vitamina natural” pode causar arritmia, dependência ou falência hepática.


A ideia de que “se vende na loja, não faz mal” é uma das maiores mentiras dessa indústria. Suplemento não é bala, não é comida comum e, definitivamente, não é isento de risco. Ainda assim, são consumidos sem orientação médica ou nutricional, como se o corpo humano fosse um laboratório descartável.


Enquanto isso, a alimentação básica — arroz, feijão, frutas, legumes — segue desprezada, como se saúde estivesse engarrafada em cápsulas importadas. A indústria agradece, o consumidor se ilude e o sistema de saúde pública se prepara para lidar com os efeitos colaterais dessa febre.



No fim das contas, os suplementos alimentares dizem muito menos sobre saúde e muito mais sobre desespero estético, desinformação e um mercado que lucra explorando a ansiedade coletiva. A pílula milagrosa não existe. Mas os riscos, esses são bem reais — e costumam chegar sem aviso no rótulo.

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