"Dei bobeira", diz delegada presa por suspeita de envolvimento com o PCC
- Revista Real Notícias

- 18 de jan.
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Recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, delegada afirmou em depoimento que errou ao manter vínculos com pessoas investigadas

A delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, presa na manhã de sexta-feira (16/1), afirmou em depoimento que “deu bobeira” ao manter relações pessoais e profissionais que atualmente são investigadas como parte de um suposto esquema de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A declaração foi feita após a prisão temporária decretada no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público.
Layla tomou posse como delegada da Polícia Civil de São Paulo em 19 de dezembro de 2025 e ainda se encontrava em estágio probatório quando foi presa, menos de um mês depois. Segundo as investigações, mesmo após assumir o cargo, ela teria continuado a atuar como advogada criminalista, o que é proibido para integrantes da carreira policial. Há registro de que participou de audiências de custódia em Marabá (PA), no dia 28 de dezembro, nove dias após a posse, defendendo um integrante do PCC preso por tráfico de drogas e associação criminosa.
De acordo com o Ministério Público, a delegada mantinha um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado como integrante do núcleo do PCC na região Norte do país. Ele também foi preso durante a operação e teria acompanhado Layla na cerimônia oficial de posse, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
As investigações indicam ainda que o casal é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, por meio da aquisição de uma padaria localizada na zona leste da capital paulista. Para os promotores, existem indícios de que o estabelecimento teria sido utilizado para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Em depoimento, Layla negou integrar a facção criminosa, mas reconheceu que não agiu sozinha e admitiu erros ao manter relações que hoje são alvo de investigação. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a expressão “dei bobeira” foi interpretada pelos investigadores como uma tentativa de minimizar a gravidade das condutas apontadas pela acusação.
Durante a Operação Serpens, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Pará. A delegada poderá responder por crimes como organização criminosa, lavagem de capitais e infrações administrativas relacionadas ao exercício ilegal da advocacia após a posse no cargo público.



































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