top of page
Post: Blog2_Post
anuncio rodape celular.png

As distorções convenientes de Toffoli no caso Banco Master

Por Carlos Marques



Divulgação
Divulgação

No caso Banco Master, Dias Toffoli volta a exercer um papel que já lhe é familiar: o de intérprete elástico da Constituição quando os investigados orbitam o poder político e financeiro. Sob o discurso técnico das garantias individuais, o ministro constrói decisões que, na prática, funcionam como escudos preventivos contra investigações incômodas.


A narrativa é conhecida. Aponta-se supostos “abusos” de investigadores, invoca-se o devido processo legal e, com um só despacho, neutraliza-se o avanço de apurações sensíveis. O problema não está na defesa das garantias — princípio basilar do Estado de Direito —, mas na seletividade com que elas são mobilizadas. Nem todos os réus parecem merecer o mesmo zelo constitucional.


No episódio do Banco Master, as decisões atribuídas a Toffoli produzem um efeito perverso: passam a mensagem de que crimes financeiros sofisticados exigem menos rigor do Estado, enquanto delitos comuns seguem enfrentando todo o peso do sistema penal. É o garantismo que sobe de elevador social.


Ao interferir de forma precoce em investigações ainda em curso, o Supremo — ou melhor, decisões monocráticas travestidas de colegiado — enfraquece não apenas a Polícia Federal e o Ministério Público, mas a própria noção de responsabilidade no sistema financeiro. O recado é claro: há casos que jamais chegam ao fim porque são interrompidos no meio do caminho.





Mais grave ainda é o impacto institucional. Cada decisão que soa como proteção antecipada a grupos poderosos aprofunda o abismo entre o Judiciário e a sociedade. O STF, que deveria ser guardião da Constituição, passa a ser visto como uma instância de revisão política de investigações legítimas.


O caso Banco Master não expõe apenas possíveis irregularidades financeiras. Ele escancara uma distorção maior: a de um Judiciário que, ao se pretender árbitro absoluto, acaba atuando como protagonista político. E quando ministros confundem toga com poder discricionário, a democracia paga a conta.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
logo

A Revista Real Notícias foi fundada no dia  01 de junho de 2020.

É um produto da Real Digital Publisher Ltda.​

CNPJ: 43.450.520./0001-09

©2021 por Revista Real Notícias. Orgulhosamente criado por Agência Real Digital

  • Facebook
  • Instagram
bottom of page