A Copa da desconfiança: quando o espetáculo encontra um país cansado de narrativas
- Revista Real Notícias

- há 1 dia
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Por Carlos de Mello Marques
Falta pouco mais de um ano para a Copa do Mundo de 2026 e as emissoras já colocaram sua poderosa máquina de marketing em campo. Comerciais emocionantes, programas especiais, narradores empolgados e uma enxurrada de conteúdo tentam convencer o brasileiro de que a velha paixão nacional continua mais viva do que nunca. O problema é que o país mudou.

Durante décadas, a Copa foi um raro momento de união nacional. Hoje, o Brasil chega ao Mundial depois de anos de polarização política, guerras ideológicas e uma profunda crise de confiança. O brasileiro passou a desconfiar de políticos, instituições, pesquisas, da imprensa e, em muitos casos, até das narrativas que tentam vender emoção pronta.
Nem o futebol escapou. A camisa da Seleção foi arrastada para disputas políticas, a bandeira ganhou conotações ideológicas e a equipe nacional parece cada vez mais distante da realidade do torcedor comum. Enquanto os jogadores vivem entre mansões europeias e contratos milionários, boa parte da população enfrenta uma realidade bem menos glamourosa.
Isso não significa que a Copa perdeu importância. Ela continua sendo um fenômeno global e um negócio bilionário. Mas existe uma diferença entre audiência e encantamento. O brasileiro provavelmente vai assistir aos jogos, torcer e comemorar as vitórias. O que parece ter desaparecido é aquela paixão espontânea que transformava o torneio em um evento quase sagrado.
A grande questão para 2026 não é se a Copa terá audiência. Terá. A dúvida é se ainda existe uma narrativa capaz de mobilizar um país que se acostumou a questionar tudo. Porque propaganda se compra, audiência se conquista, mas confiança continua sendo o troféu mais difícil de levantar.



































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