Crise da masculinidade e a sensação de uma sociedade em declínio
- Carlos de Mello Marques

- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Por Carlos de Mello Marques

Nas últimas décadas, a sociedade tem passado por transformações profundas que atingem diretamente a forma como a masculinidade é compreendida e vivida. O que antes era visto como um conjunto claro de valores — força, liderança, responsabilidade e proteção — hoje se encontra em debate constante. Para muitos, essa mudança não representa apenas evolução social, mas um sinal de desorientação coletiva.
Historicamente, o homem ocupava um papel bem definido na estrutura social: provedor, figura de autoridade familiar e referência de estabilidade. Com o avanço de pautas sociais, culturais e econômicas, esses papéis foram questionados. O objetivo inicial era corrigir abusos e desigualdades, especialmente aqueles ligados ao machismo e à exclusão feminina. No entanto, críticos apontam que, nesse processo, a masculinidade passou a ser tratada não como algo a ser ajustado, mas como algo a ser combatido.
Termos como “masculinidade tóxica” ganharam espaço no debate público e, muitas vezes, passaram a ser usados de forma genérica, associando características tradicionalmente masculinas — como firmeza, competitividade e autoridade — a comportamentos nocivos. O resultado, segundo especialistas e observadores sociais, é um crescente número de homens inseguros quanto ao próprio papel, receosos de agir ou se posicionar, e sem referências claras de identidade.
Esse fenômeno tem reflexos visíveis. Dados sobre saúde mental masculina, evasão escolar, dificuldade de inserção profissional e afastamento da vida familiar indicam um quadro preocupante. Ao mesmo tempo, mulheres assumem múltiplas responsabilidades e jovens crescem sem modelos masculinos sólidos, o que amplia a sensação de desorganização social.
Para analistas mais críticos, o problema central não está na mudança em si — afinal, sociedades sempre evoluíram —, mas na forma como essa transição tem ocorrido. Valores tradicionais foram desconstruídos sem que novos fundamentos igualmente firmes fossem colocados em seu lugar. Assim, virtudes como disciplina, honra e responsabilidade acabaram sendo confundidas com opressão e autoritarismo.
Apesar do cenário descrito por muitos como negativo, há consenso em um ponto: a masculinidade não precisa ser abandonada, mas redefinida de maneira equilibrada. Uma masculinidade saudável, defendem estudiosos, combina força com autocontrole, liderança com empatia e responsabilidade com maturidade emocional.
Em meio a discursos polarizados, cresce a percepção de que a reconstrução social passa, inevitavelmente, pela reconstrução do indivíduo. O debate sobre o futuro da masculinidade, longe de ser apenas ideológico, revela uma questão central do nosso tempo: como preservar valores essenciais sem ignorar as mudanças de uma sociedade em constante transformação.
Por Carlos de Mello Marques



































Comentários