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Entrevista Marcante - Rick Vito, um dos melhores guitarristas do mundo

Fleetwood Mac, John Mayall, John Fogerty, Albert Collins, Bonnie Raitt, Little Richard. O que esses nomes têm em comum? Rick Vito! Ou melhor, sua guitarra, que marcou diferentes - e tantas outras - bandas.


Por Hugo Medeiros


Rick fez um apanhado sobre a carreira, falou sobre a cena musical em sua cidade natal, Filadélfia, e suas influências no slide guitar. "O primeiro slide que ouvi foi Brian Jones dos Stones em Little red rooster, seguido por Mike Bloomfield no primeiro álbum de Paul Butterfield. Depois veio Jesse Ed Davis nos discos do Taj Mahal, após o qual entrei em Elmore James, Earl Hooker, Son House, Muddy Waters e Robert Nighthawk", contou Rick.



Guitarrista poderoso, além de ter tocado com dinossauros do blues e do rock, tem uma carreira solo muito interessante. Os discos King of Hearts (sua estreia) e Rattlesnake Shake (inspirado em Peter Green, guitarrista fundador do Fleetwood Mac) trazem um blues-rock com muito slide e algumas faixas mais pesadas, mas é em Band Box Bogie que ele revela seu repertório. "Eu queria fazer um disco que destacasse mais, como você diz, um som de swing-jump-blues. Eu havia aprendido (por mim mesmo) a desenvolver em um estilo de guitarra influenciado por caras como Django Reinhardt, Les Paul, Teddy Bunn, Charlie Christian, B.B. King e outros, e escrevi algumas músicas que se encaixavam nesse estilo", explicou.


O recém lançado Soulshaker é mais um bom disco de Rick Vito. Se você, leitor, ainda não o conhece, vá sem desconfiança, bons momentos estarão garantidos!


Ugo Medeiros – Você integrou o Fleetwood Mac entre 1987/91. Como você entrou para a banda?


Rick Vito - Fui contactado por Mick (Fleetwood) depois que Lindsey Buckingham partiu. Ele perguntou se eu estava interessado em aprender 10/12 músicas do Mac e em ir a um ensaio do Fleetwood Mac para tocar junto com Billy Burnette. Eu já tinha conhecido e tocado com Mick e Billy duas vezes antes disso. Então, eu aprendi as músicas, fui ao ensaio, toquei o dia todo e fui convidado a participar.


UM – No início o Fleetwood era conhecido pela guitarra do Peter Green. Acredito que ele tenha te influenciado bastante. Poderia falar sobre a influência dele na sua formação musical?



RV - Eu tive o primeiro disco do Fleetwood Mac e o LP do John Mayall com o Peter, e gostei muito dele. Então eu os vi ao vivo na Filadélfia em dezembro de 1968 e fiquei MUITO impressionado com a sua forma de tocar, seu canto, as músicas e o carisma de liderança. Sua abordagem para tocar blues e rock foi a direção que eu queria seguir, em oposição aos estilos pesados de hard rock que estavam surgindo. Ele era MUITO mais elegante do que qualquer pessoa que eu já tinha visto ou ouvido.


UM – Com o Fleetwood você gravou Behind the Mask. Poderia falar sobre o disco?


RV - Nós gravamos várias músicas para o álbum Greatest Hits e, depois disso, em 1989, fomos gravar um novo álbum que apresentaria a nova formação comigo e com Billy. Passamos um ano nisso e fizemos muita auto-produção nas músicas. Eu acho que é um ótimo álbum, mas Stevie e Chris não haviam escrito o tipo de música que havia aparecido em discos anteriores do Mac, então, infelizmente, não houve grandes sucessos. Tenho orgulho do que fizemos no Behind The Mask. É ótimo.



UM – Você é um grande slideman. Poderia falar sobre as maiores influências no slide guitar?


RV - Obrigado. O primeiro slide que ouvi foi Brian Jones dos Stones em Little red rooster, seguido por Mike Bloomfield no primeiro álbum de Paul Butterfield. Depois veio Jesse Ed Davis nos discos do Taj Mahal, após o qual entrei em Elmore James, Earl Hooker, Son House, Muddy Waters e Robert Nighthawk. Eu ouvi todos que tocaram slides, incluindo Mick Taylor, Hound Dog Taylor, Robert Johnson, James Burton, Ry Cooder, John Hammond Jr. e também gostei do que Duane Allman fez no disco de Clarence Carter, Road of love.


UM – Você nasceu na Pennsylvania. Como era a cena musical naquela época?


RV - Nos anos 1950, tínhamos o American Bandstand (estúdio e programa de TV) na Filadélfia (de onde eu sou), para que todos no rock & roll viessem para 'Philly' para aparecer na TV. Bill Haley começou por aí, além de uma tonelada de cantores de R&B como Solomon Burke, Chubby Checker, Don Gardner, Tammy Terrell, Lee Andrews & the Hearts, etc. Também tínhamos artistas adolescentes como Danny & the Juniors, Bobby Rydell, Frankie Avalon, Charlie Gracie e muitos outros. Então, sempre foi uma cena musical vibrante.


UM – Você tocou com grandes artistas. Comecemos com Bob Seger... Como foi a experiência?


RV - Alguém me indicou ao Bob e eu fui a um estúdio fazer alguns overdubs para ele. Ele me tocou uma parte que tinha longas passagens de espaço com uma forte sensação mid-tempo, então eu sugeri imediatamente um solo de guitarra. Bob não queria isso, mas eu o convenci a me deixar tentar uma ideia. Eu peguei as duas seções solo na primeira tomada, e a música era Like a rock. Bem, Bob ficou chocado e disse em seu CD Greatest Hits que era o "single mais incrível que ele já tinha ouvido". Isso me levou a fazer o resto do disco e a ficar um ano na estrada. Eu toquei em mais três ou quatro discos dele.


UM – Você também com Ms. Bonnie Raitt! Eu amo aquela mulher, é uma diva e uma grande slider...


RV - Sim, ela é ainda uma ótima amiga, e seu aniversário foi há poucos dias. Uma grande entertainer e guitarristas!


UM - O John Mayall é um músico interessante, ele representa uma escola de blues. Sempre montou bandas com os melhores músicos, sempre escolheu os melhores: Clapton, Mick Taylor, Peter Green, Coco Montoya, Walter Trout, Buddy Whitington, etc. Poderia falar sobre a experiência de tocar com ele e o legado dele?


RV - A genialidade de John desde o álbum "Beano" com Clapton sempre foi cercar-se de bons músicos com um estilo forte. Meu bom amigo recém-falecido Larry Taylor contou a John sobre mim e eu fui à sua famosa casa em Laurel Canyon, nos arredores de Hollywood, Califórnia. Nós acabamos de tocar um pouco e ele disse: "Ok, você conseguiu o show!" Fiquei emocionado, para dizer o mínimo, como todos os guitarristas que já fizeram o show. É um bom legado fazer parte e eu aprendi muito com John sobre expandir os limites do que eu era capaz de tocar no palco. Eu sempre desejo o melhor a John e espero que ele continue fazendo isso por muitos mais anos.


UM – Meu Deus, você também tocou com o Little Richard...!



RV - Sim, um amigo que faria o show deu a ele meu número porque ele teve que ficar fora por um mês ou mais. Eu tinha todos os discos dele e conhecia todas as suas músicas. O que você pode dizer...? Ele era e é um dos verdadeiros reis do rock & roll. Eu ensaiei com ele por uma semana e toquei no programa de TV Midnight Special que ele apresentou no verão de 1974. Eu deveria ir a Las Vegas e Lake Tahoe com ele, mas isso nunca aconteceu. Ainda assim, foi um dos shows mais únicos de todos os tempos!


UM - É curioso, de certa forma, você seguiu os passos do Clapton: tocou com John Mayall e depois com Delaney & Bonnie. D&B não eram blues ou R&B, eram uma música bem peculiar...


RV - Sim, Delaney e Bonnie foram primeiro e eles realmente me deram meu primeiro show profissional. É claro que o primeiro disco solo de Clapton e também Derek & the Dominoes vieram diretamente do D&B. Eles realmente misturavam blues, rock, gospel e R&B de uma maneira muito legal e eu realmente gostava da música deles. Eu também tocava com Bobby Whitlock, do Dominoes. Você tem que admirar Clapton e sua carreira. Ele é uma figura imensamente influente no blues e no rock.


UM – John Fogerty, na minha opinião, tem uma maiores vozes do rock, junto com Eric Burdon e Paul Rodgers. Como foi tocar com ele?


RV - Eu o conheci quando meu filho e a enteada do John estavam na mesma classe juntos em Los Angeles. Ele me pediu para tocar com ele em um pequeno concerto da escola que, na verdade, foi provavelmente o melhor show que já fiz com ele! Cerca de 4/5 anos depois, nós dois nos mudamos para a área de Nashville e ele ligou para ver se eu poderia fazer mais shows em turnê. Então eu fiz e me diverti por mais ou menos um ano, às vezes com a Tina Turner. Eu gosto do John, mas o show na época não ofereceu muito espaço para mim na guitarra principal. Ainda assim, ele é um dos grandes.


UM – Poderia falar sobre o seu primeiro disco King of Hearts?


RV - Esse foi o meu primeiro disco na Modern/Atlantic Records. Muitas das músicas eram aquelas que não entraram em Behind The Mask. Stevie estava em algumas demos e as tocou para Doug Morris, da Atlantic Records, que me ofereceu um acordo na subsidiária Modern, na qual Stevie estava. Então, ela canta no disco em duas faixas. Eu gostaria, olhando para trás, de poder ter trabalhado com um produtor forte no disco, porque ele tinha hits em potencial. Eu aprendi muito... digamos assim.


UM - Band Box Boogie trazia uma pegada mais vintage, com mais swing. Poderia falar sobre esse caminho escolhido?


RV - Eu queria fazer um disco que destacasse mais, como você diz, um som de swing-jump-blues. Eu havia aprendido (por mim mesmo) a desenvolver em um estilo de guitarra influenciado por caras como Django Reinhardt, Les Paul, Teddy Bunn, Charlie Christian, B.B. King e outros, e escrevi algumas músicas que se encaixavam nesse estilo. Foi lançado a princípio na Europa em uma gravadora alemã, e mais tarde eu mesmo o coloquei aqui nos EUA, mas a maioria das pessoas não conhece o disco. É um dos meus favoritos, pessoalmente.


UM - Rattlesnake Shake é um discaço! Muito slide, ótimos vocais, som pesado... Poderia falar sobre o disco?


RV - Obrigado! Isso foi originalmente gravado e lançado na Europa pela mesma gravadora alemã. Foi feito praticamente ao vivo em um estúdio de Hamburgo com a minha banda, Charlie Harrison no baixo e Rick Reed na bateria. Gravamos muitas músicas, uma das quais era a antiga música de Peter Green, Rattlesnake shake, que fizemos um pouco mais bluesy, e que acabou como o título escolhido pelo selo. É principalmente um disco de slide guitar. Mais tarde, adicionei e cortei algumas músicas e lancei na minha gravadora nos EUA, e esse foi um dos meus CDs mais populares até o momento.


UM - O seu último disco é Soulshaker. Ótimo álbum, ótimas canções como I do believe. Poderia falar sobre o disco?


RV - Que bom que você gostou! Passei alguns anos gravando novas músicas desde que meu CD chamado Mojo On My Side foi lançado pela gravadora Delta Groove. Quando finalmente tive canções certas o suficiente, conversei com Bob Margolin, que é parceiro da VizzTone Records. Enviei-lhes Soulshaker e eles queriam lançar. Ele recebeu as críticas mais incríveis do que eu jamais imaginei e segue no slide guitar, na tradição do blues-rock & roll como Rattlesnake Shake e Mojo. Estou feliz com a maneira como as coisas estão indo e espero fazer mais festivais em 2020 e talvez inicie outro CD muito em breve!


Fonte: colunabluesrock