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Renan Calheiros estuda incluir Bolsonaro entre investigados da CPI da Covid

Atualizado: Jun 23

CPI da Covid lista testemunhas que passaram à condição de investigados, entre as quais os ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo e o atual titular da Saúde, Marcelo Queiroga. Relator do colegiado, Renan Calheiros estuda incluir Bolsonaro na relação


O relatório preliminar da CPI da Covid ficou apenas na promessa, mas as investigações feitas até agora permitiram a senadores apontar quem são as figuras que saem da posição de testemunhas para a de investigados, mesmo sem a análise das quebras de sigilo. Nesta sexta-feira (18/6), a cúpula da comissão divulgou uma lista de 14 pessoas contra as quais o colegiado tem provas ou indícios de crimes, entre os quais os ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo e o atual titular do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga. A relação, porém, pode aumentar. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que aguarda um posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) para saber se o colegiado terá poder de investigar, também, o presidente Jair Bolsonaro.


O anúncio dos investigados ocorreu no momento em que era realizada a sessão para ouvir defensores do chamado “tratamento precoce” contra a covid-19 — o que, de acordo com a ciência, não existe. Foi a estratégia usada pelo G7 — grupo de senadores de oposição ou independentes — para esvaziar a sessão com os negacionistas.


“Esta CPI já produziu inquéritos e resultados, e destacamos o avanço no calendário da vacinação. Mostramos que o governo sempre recusou as vacinas e tentou colocar em seu lugar o tratamento precoce e a utilização da cloroquina, ivermectina, zinco e outros produtos com comprovada ineficácia”, ressaltou Calheiros.



Ele justificou que contra os investigados já existem provas e indícios suficientes para promover a reclassificação e “mudar o patamar da própria investigação”, um movimento positivo para a CPI, mas também “para a segurança jurídica dos próprios investigados, que passam a ter direito a informações e acesso às provas e aos indícios”.


Não houve consenso no colegiado, entretanto, sobre incluir Queiroga entre os investigados, porém Calheiros argumentou que os depoimentos do ministro da Saúde foram “pífios e ridículos”. De acordo com o parlamentar, o gestor faltou com a verdade, inclusive sobre ter a autonomia que seus antecessores, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, não conseguiram. “Os fatos demonstraram o contrário. Enquanto ele defendia a vacinação, o presidente (Bolsonaro) afirmava que reduziria o uso de máscaras”, frisou. “O lote de vacinas encomendado por ele saiu 20% mais caro do que os anteriores. E, em abril agora, ele levou um puxão de orelha do diretor-presidente da OMS (Organização Mundial da Saúde) ao cobrar maior agilidade na entrega das vacinas.”



Conforme os documentos recebidos pela CPI, o diretor-presidente da OMS, Tedros Adhanom, teria dito que o Brasil recusou doses suficientes para imunizar até 50% da população, preferindo ficar com apenas 10% para, posteriormente, cobrar agilidade. “Ele disse que estamos vivendo uma situação terrível de mercado e não dá mais para ajudar, como naquela oportunidade. O ministro, então, aproveitou a conversa para defender o tratamento precoce e a prescrição de cloroquina e mentiu dizendo que o tratamento teve eficácia de 70%”, contou o relator.


Ontem, no Rio de Janeiro, Queiroga comentou a decisão da CPI. “Não estou interessado nesse assunto, estou interessado em vacinar a população. A população está vendo o que eu estou fazendo”, afirmou. Ele se disse com “tranquilidade absoluta”.

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