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A República dos Intocáveis: quando o Supremo vira poder absoluto
Existe um momento em que uma democracia deixa de ser apenas um sistema político e passa a ser um teste de sanidade coletiva. O Brasil parece estar atravessando exatamente esse momento. O país assiste, quase anestesiado, a um cenário em que ministros da mais alta Corte da República aparecem em conversas de investigados, em mesas de eventos patrocinados por grandes interesses financeiros e em narrativas que misturam poder econômico, política e Justiça. No centro da tempestade e
6 de mar.


O maravilhoso mundo das mulheres: a engrenagem invisível que move tudo
Existe uma fantasia recorrente em certos discursos: a ideia de que o mundo funciona por causa de grandes sistemas, mercados, tecnologia ou decisões estratégicas tomadas em salas de reunião. Bonito na teoria. Na prática, basta olhar com um pouco de honestidade para perceber um detalhe incômodo: sem mulheres, grande parte dessa engrenagem simplesmente pararia. Comecemos pela economia. O consumo — esse motor sagrado do capitalismo — depende em larga escala das decisões de compra
5 de mar.


PEC da Segurança: Quando Falta Política Pública, Sobra Cadeia e Discurso de Super-Herói
A PEC da segurança reaparece no Congresso como mais um capítulo da tradição brasileira de resolver tragédias sociais com canetadas constitucionais. Vendida como resposta firme à violência, a proposta aposta na centralização e no endurecimento do discurso — porque, ao que parece, o problema do Brasil nunca foi falta de lei, foi falta de lei “mais dura”. No mesmo pacote, volta a ideia de reduzir a maioridade penal, hoje fixada aos 18 anos pela Constituição Federal do Brasil de
4 de mar.


Calamidade pública × responsabilidade política: um divórcio conveniente
Quando um governo decreta calamidade pública, espera-se liderança, ação imediata e transparência. O que frequentemente se vê, porém, é a transferência de culpa. E, nesse roteiro, prefeitos e governadores raramente assumem o papel principal — embora quase sempre estejam no centro das decisões que levaram ao desastre. Chove demais? “Evento atípico.”Faz calor demais? “Fenômeno imprevisível.”Encosta desliza? “Força da natureza.”Sistema colapsa? “Demanda acima da média.” Mas a nat
27 de fev.


Quando o “protetor” vira algoz: a masculinidade que fracassa e tenta culpar a mulher pelos próprios crimes
POR CARLOS DE MELLO MARQUES O crime ocorrido em Itumbiara, no sul de Goiás pelo secretário de Governo da Prefeitura, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, não é apenas uma tragédia familiar. É o retrato cru de uma masculinidade doente que ainda insiste em se vender como força, mas que na prática revela fragilidade, ego ferido e incapacidade de lidar com frustração. Tragédia é acidente. O que se viu foi escolha. Foi ação. Foi a travessia consciente do limite mais básico da
19 de fev.


Entre a impunidade e o discurso fácil: a sociedade que terceiriza a culpa
POR CARLOS DE MELLO MARQUES O Brasil vive um dilema que finge ser complexo, mas é apenas covarde: endurecer as leis para adolescentes que tiram a vida de outras pessoas ou manter tudo como está, embalado por discursos mornos e estatísticas seletivas. Enquanto o debate se arrasta, corpos se acumulam e a responsabilidade some — como se a morte tivesse sido um acidente administrativo. A retórica oficial insiste em tratar o homicídio cometido por adolescentes como um “fracasso co
17 de fev.


Parque Bondinho do Pão de Açúcar terá oficinas, samba e atividades para toda a família no Carnaval
Programação especial entre 14 e 17 de fevereiro conta com aulas de samba, oficina de caipirinha, percussão e atrações infantis no cartão-postal do Rio A agenda começa neste sábado (14), com uma aula especial de samba no Jardim dos Discos. Os dançarinos Djeff e Leila conduzem a atividade em dois horários: às 11h e às 14h, convidando os visitantes a entrarem no clima da folia com passos tradicionais do ritmo carioca. No dia 15, o mesmo espaço recebe uma oficina de caipirinha, e
16 de fev.


A Imprensa de Lado: Quando a Notícia Abdica da Verdade e Abraça a Torcida
Por Carlos de Mello Marques Tem algo muito irritante — e até desanimador — em abrir um site de notícias e já saber, nas primeiras linhas, qual é o “lado” do texto. Antes mesmo dos fatos aparecerem, você sente a intenção. Não é informação: é torcida organizada. Hoje, muita gente lê jornal já com o pé atrás. E não é por acaso. De um lado, tem veículo que parece panfleto ideológico. Do outro, tem portal que mais parece gabinete de campanha. A matéria já nasce com opinião pronta.
16 de fev.


Até o além entrou na planilha: “Com aval do Supremo Tribunal Federal, Eduardo Paes transformou jazigos ‘perpétuos’ em carnês anuais no Rio de Janeiro”
A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de passar a cobrar IPTU sobre jazigos perpétuos conseguiu algo raro: tirar o sossego até de quem já estava descansando em paz. Durante décadas, a ideia de “jazigo perpétuo” significava exatamente isso — perpétuo. Compra feita, direito garantido, descanso eterno assegurado. Mas, sob a gestão do prefeito Eduardo Paes, o conceito ganhou uma releitura criativa: perpétuo, sim — desde que com boleto atualizado. A pergunta que ecoa nos corre
14 de fev.


Rio entre o palanque e o Poder Paralelo
Os devaneios da política carioca — com nome e sobrenome POR CARLOS DE MELLO MARQUES No papel, o Rio é vitrine turística. Na prática, tornou-se um campo minado administrativo onde discursos grandiosos convivem com resultados modestos. A política carioca parece oscilar entre o improviso crônico e a retórica épica — enquanto o crime organizado consolida poder territorial com disciplina empresarial. O atual governador, Cláudio Castro , tornou-se personagem central desse enredo. S
13 de fev.


A farra dos penduricalhos: como o teto virou enfeite no contracheque do alto funcionalismo
Enquanto o país aperta os cintos, parte do serviço público descobre novas formas de esticar o próprio salário — tudo “dentro da lei” O Brasil é um país onde o teto constitucional existe. Está na Constituição, é repetido em discursos oficiais e aparece como símbolo de moralidade administrativa. Mas, na prática, virou peça de ficção. Para uma parcela do alto funcionalismo, o teto é apenas o salário-base — o resto vem por fora, sob a forma elegante dos chamados “penduricalhos”.
11 de fev.


Da Luta por Existir ao Direito de Mandar
Como a pauta homossexual saiu das ruas e entrou no altar do intocável POR CARLOS DE MELLO MARQUES A geração dos anos 80 não teve militância confortável. Teve medo, teve pancada, teve silêncio forçado e teve vergonha imposta. Para o homossexual daquela época, não existia manual de proteção institucional nem plateia solidária. Existir era afronta. Amar era risco. Falar era luxo. Não havia glamour, só sobrevivência. E talvez por isso mesmo aquela geração soubesse exatamente o va
10 de fev.


Punição como Atalho: quando o Estado troca política pública por vingança
Sempre que o Brasil entra em colapso moral, a classe política revela sua vocação mais sincera: desistir. Incapaz de governar, planejar ou prevenir, o Estado recorre ao velho truque da punição como espetáculo. Reduzir a maioridade penal, defender a pena de morte e internar compulsoriamente dependentes químicos não são soluções — são confissões públicas de fracasso. A redução da maioridade penal é o retrato mais cruel dessa covardia institucional. O Estado abandona a criança, f
7 de fev.


Como facilitar o entendimento da IA para idosos
POR CARLOS DE MELLO MARQUES O primeiro passo é desmistificar . IA não deve ser apresentada como algo complexo ou ameaçador, mas como uma ferramenta prática, comparável a um eletrodoméstico moderno: não é preciso entender o motor, apenas saber usar. Usar exemplos concretos é essencial. Em vez de falar em “algoritmos”, é mais eficaz dizer: “é como um sistema que aprende seus hábitos, do mesmo jeito que você aprende a escolher o melhor caminho para ir ao mercado”. A linguagem d
6 de fev.


Inteligência Artificial e idosos: quando o futuro avança e deixa os mais velhos para trás
A Inteligência Artificial já governa silenciosamente a rotina moderna, mas para milhões de idosos ela não chega como inovação — chega como exclusão. Enquanto empresas celebram algoritmos “inteligentes”, parte significativa da população envelhece diante de telas que não explicam, não acolhem e não esperam. A promessa de facilidade vira labirinto digital. POR CARLOS DE MELLO MARQUES Na saúde, a IA é vendida como revolução: exames analisados em segundos, monitoramento remoto, pr
5 de fev.


Os perigos dos suplementos alimentares: a indústria da pílula milagrosa
Eles prometem músculos rápidos, emagrecimento sem esforço, energia infinita e até “equilíbrio hormonal”. Vendidos em potes coloridos, com rótulos em inglês e fotos de corpos esculturais, os suplementos alimentares se tornaram o novo altar da fé moderna. A ciência? Um detalhe inconveniente. A vigilância sanitária? Um obstáculo burocrático. O consumidor? A vítima preferencial. No Brasil, o mercado de suplementos cresce como fermento em whey protein, impulsionado por influenciad
2 de fev.


Entre o Boleto e o Beach Club: o retrato agridoce da classe média e baixa carioca
Na cidade onde a paisagem é cartão-postal, mas a rotina é carnê parcelado, o comportamento social virou um misto de sobrevivência, espetáculo e negação coletiva. POR CARLOS DE MELLO MARQUES O Rio de Janeiro sempre vendeu ao mundo a imagem de leveza, mas basta descer do mirante para encontrar uma sociedade que ri alto para não chorar no débito automático. Entre a classe média espremida e a classe trabalhadora exausta, construiu-se um estilo de vida onde a aparência grita e a r
29 de jan.


Palácios de Mármore, Povo de Concreto: o abismo entre o Supremo e o cidadão comum
Enquanto ministros falam em defesa da Constituição, boa parte dos brasileiros só consegue enxergar um condomínio de luxo cercado de privilégios e distante da vida real. Por Carlos de Mello Marques Brasília é uma cidade feita de símbolos, mas poucos são tão simbólicos quanto o prédio do Supremo Tribunal Federal. Vidro, mármore, silêncio e ar-condicionado constante. Do lado de fora, o país ferve; do lado de dentro, a toga desliza em câmera lenta, como se o Brasil fosse um conce
27 de jan.


Entrevistas Marcantes - Slim Jim Phantom
Por Hugo Medeiros Comemoração boa é aquela que nunca termina! Nesse espírito, mais uma entrevista exclusiva pelos cem mil acessos, o lendário baterista Slim Jim Phantom. Ao lado de Brian Setzer e Lee Rocker, formou uma das maiores banda da história do rock, The Stray Cats. Como poucos, encarnou o rock'n'roll ainda no colégio e, desde então, viveu (e sobreviveu) nessa batida simples e nervosa do rockabilly. Ugo Medeiros - Você nasceu em Nova Iorque e desde cedo escutava jazz
27 de jan.


Muitos diplomas, pouca cidadania: o vazio da educação brasileira
POR CARLOS DE MELLO MARQUES Da alfabetização capenga às universidades cheias de jargões, o país coleciona certificados enquanto falha em formar gente capaz de entender o próprio voto. O Brasil construiu um sistema educacional que adora parecer moderno, mas morre de medo de ser profundo. Da educação básica à universidade, a sensação é de uma longa esteira de produção de diplomas onde o conteúdo vai sendo substituído por siglas, modismos pedagógicos e expressões importadas que
26 de jan.
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